O Banco Central da Holanda (DNB) anunciou a transferência de mais de 78 toneladas de ouro de Nova York para Londres, além de sete toneladas removidas de Ottawa, no Canadá. A decisão, motivada pelo aumento da instabilidade geopolítica internacional, busca fortalecer a "preparação para crises" por meio de uma distribuição mais equilibrada das reservas entre diferentes jurisdições.
Motivações e estratégia
Segundo o presidente do BC holandês, Olaf Sleijpen, a movimentação melhorou a liquidez das reservas de ouro do país. Londres foi escolhida por ser o maior centro mundial de negociação física do metal, com volume superior a US$ 900 bilhões movimentados semanalmente. O ouro depositado no Banco da Inglaterra atende a padrões internacionais de comércio e é considerado o mais facilmente negociável do mundo, segundo a instituição.
Apenas 27 toneladas foram fisicamente transportadas dos EUA e Canadá para a Europa. O restante foi vendido nas Américas, estratégia semelhante à adotada pela França, que teria gerado um lucro de € 11 bilhões na operação.
Contexto global e reações
A iniciativa holandesa segue o exemplo da França, que retirou a totalidade de seu ouro do Federal Reserve de Nova York entre julho de 2025 e janeiro de 2026. O movimento ocorre em meio a uma alta histórica nos preços do ouro, que subiu 25% nos últimos 12 meses. Segundo dados do Banco Central Europeu, o ouro já superou os títulos públicos americanos como o maior ativo de reserva do mundo.
Nem todos os bancos centrais europeus seguem a mesma linha. O Bundesbank, que detém a segunda maior reserva de ouro do mundo, repatriou metade de seus ativos em 2013, mas ainda mantém cerca de um terço de suas reservas em Nova York. O presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, afirmou em maio que os EUA teriam mais a perder caso colocassem em risco o status legal especial concedido ao metal.
