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Economia

Banco Central estuda limitar crédito sem garantia por renda

Banco Central avalia limitar crédito sem garantia por renda para conter endividamento das famílias, segundo informações da Reuters.

Redação•21 de out. de 2026, 15:30
Banco Central estuda limitar crédito sem garantia por renda
Imagem: site

Banco Central estuda limitar crédito sem garantia por renda

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O Banco Central do Brasil (BC) está elaborando um pacote de medidas voltado para conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras. Conforme informações da agência Reuters, a instituição estuda impor limites à concessão de crédito sem garantia com base na renda individual de cada cliente, além de prever maior responsabilização para as instituições financeiras e o aumento da transparência na oferta de empréstimos.

As iniciativas refletem a apreensão das autoridades em relação aos patamares elevados de endividamento no país. O BC já havia indicado anteriormente que adotaria ações para endurecer a oferta de crédito sem garantia, modalidade que inclui os cartões de crédito.

Segundo a Reuters, a implementação e o anúncio das medidas devem ocorrer de maneira gradual. Uma possível elevação nas exigências de capital das instituições bancárias ficaria de fora da primeira fase. Questionado, o Banco Central informou que não se pronunciará sobre o tema.

Contexto econômico e eleitoral

O cenário do endividamento integrou o debate político durante a disputa eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, implementou novas rodadas voltadas à renegociação e ao perdão de débitos de empreendedores e famílias. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro (PL) assumiu o compromisso de instituir um programa governamental para a compra de dívidas e de promover o congelamento temporário de débitos caso seja eleito.

Dados divulgados pelo próprio BC mostram que o endividamento das famílias alcançou, no mês de julho, 49,9% da renda acumulada no período de 12 meses, índice considerado historicamente elevado. Paralelamente, levantamento da Serasa indicou um recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes.

Nos últimos anos, a ampliação dos serviços bancários digitais simplificou a obtenção de recursos e diminuiu despesas operacionais para clientes e bancos. Contudo, a agilidade na disponibilização, análise e liberação de empréstimos acentuou o debate acerca dos critérios aplicados pelas instituições.

Parâmetros e modelo internacional

Uma das propostas em análise determina que os bancos realizem uma checagem mais rigorosa da situação financeira e do perfil do tomador antes da liberação dos valores. Adicionalmente, há estudos para estabelecer normas que tornem mais evidentes os custos e as condições das operações antes de sua efetivação, conforme relatado por uma fonte.

O BC também avalia diretrizes aplicadas internacionalmente, a exemplo de Cingapura, cujo sistema serve de referência para os debates. No país asiático, o teto para o crédito sem garantia e cartões de crédito corresponde a até dois meses de remuneração para trabalhadores com rendimento anual de até 30 mil dólares de Cingapura. Para faixas salariais entre 30 mil e 120 mil dólares de Cingapura por ano, o limite eleva-se para quatro meses de salário, enquanto restrições deixam de vigorar acima desse montante. Cingapura também exige pré-requisitos de renda ou patrimônio para a emissão de cartões.

Conforme a Reuters, as diretrizes em análise fundamentam-se em dois conceitos do mercado financeiro: a capacidade de pagamento (affordability) e a adequação do produto ao perfil do consumidor (suitability). Dessa forma, os bancos passariam a verificar se o tomador tem condições de honrar as parcelas sem comprometer excessivamente seus ganhos e se a modalidade ofertada atende às suas necessidades reais. Saiba mais.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/21/medidas-bc-endividamento.ghtml

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