A reta final da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição tem sido marcada por um ambiente de forte tensão e pelo aumento do chamado “fogo amigo” entre aliados. A tendência de alta de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas tem alimentado disputas internas e intensificado críticas entre diferentes alas da campanha petista.
De acordo com apuração da analista de política Clarissa Oliveira, a situação difere das projeções iniciais. Havia uma expectativa de que o presidente chegasse a esta etapa da disputa com uma vantagem superior sobre o adversário. A analista classificou o cenário como extremamente preocupante para o presidente.
Insatisfação com a comunicação e o marketing
Setores do PT têm manifestado forte reação à condução da campanha, especialmente na área de marketing. Há um movimento interno de busca por culpados. As críticas direcionam-se à gestão da comunicação social do governo comandada por Sidônio Palmeira, ministro que coordena grande parte da campanha e alocou Raul Rabelo, figura de sua confiança, para atuar no processo.
Entre as queixas, aponta-se que a campanha dedicou tempo excessivo a discussões sobre Donald Trump, em vez de focar no diálogo direto com o próprio eleitorado. A avaliação interna indica falha em estabelecer uma estratégia para motivar o eleitor mais pobre a manter o voto em Lula e atrair novos apoiadores na mesma faixa, além da ausência de fatos que incentivem o eleitorado a puxar votos para o presidente.
Mudança de estratégia e novas propostas
Para conturbar o cenário, uma virada de estratégia passou a ser adotada. O reajuste do Bolsa Família foi apontado como o primeiro passo para demonstrar maior atenção à realidade concreta dos eleitores. Outra medida mencionada foi a proposta levantada por Lula para garantir o fornecimento das chamadas “canetas emagrecedoras” pelo SUS.
Apesar de não formalizar um anúncio ou promessa concreta, Lula declarou textualmente que o produto seria oferecido pelo sistema público de saúde em sua gestão. Segundo Clarissa Oliveira, a medida já era idealizada no governo, mas não havia avançado. A analista acrescentou que a pressão é ampliada pela postura da campanha adversária, que adota um tom agressivo ao expor problemas da gestão petista e explorar fragilidades junto ao eleitorado de baixa renda.
