A evolução da agricultura brasileira nas últimas décadas, marcada pelo crescimento de 667% na produção de grãos entre 1976 e 2026 segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), impulsiona novas estratégias de inovação da Bayer no país. O grupo alemão, líder mundial em sementes e herbicidas para soja, milho e algodão — culturas que faturaram 66,2 bilhões de dólares nas exportações agrícolas brasileiras em 2025 de um total de 169 bilhões —, planeja lançar ao menos vinte formulações no mercado nacional até 2030.
Maurício Rodrigues, presidente da Bayer Crop Science para a América Latina, destaca que o foco permanece em auxiliar os clientes a elevarem a produtividade e a qualidade. Entre as principais apostas está a Intacta 5+, nova geração de biotecnologia para soja desenvolvida para proteger a planta contra pragas a partir de pesquisas conduzidas no Brasil, em Porto Rico e nos Estados Unidos. Com estreia comercial programada para a safra 2027/2028, a solução tem potencial de vendas globais estimado em cerca de 3 bilhões de euros.
Para encurtar o prazo entre a pesquisa laboratorial e a aplicação nas lavouras, a Bayer tem recorrido intensamente à inteligência artificial. A tecnologia atua na identificação de moléculas, na seleção de características genéticas e no desenvolvimento de produtos. Mike Graham, chefe global de pesquisa e desenvolvimento da Bayer Crop Science, aponta que a inteligência artificial se tornou um capacitador central do modelo de inovação da empresa, acelerando a descoberta e a tradução de percepções biológicas em produtos diferenciados.
O Brasil, segundo maior mercado da companhia atrás apenas dos Estados Unidos, apoia-se em um ecossistema de parcerias iniciado na década de 1960 e ampliado em 2018 com a aquisição da Monsanto. A rede envolve a Embrapa, universidades, startups de inovação aberta e agricultores, permitindo a consolidação de um vasto acervo de dados sobre solos, clima e práticas agrícolas. Mayra Theis, sócia e líder de agronegócio da PwC Brasil, ressalta que o conhecimento acumulado e a qualidade desse acervo maximizam o aproveitamento da inteligência artificial.
Com um orçamento anual de P&D estimado em 2 bilhões de euros, a IA auxilia os cientistas a reduzir o intervalo entre a descoberta de moléculas e a fabricação. Segundo Marcia Ometto Mello José, diretora global de regulamentação de biotecnologias da Bayer Crop Science, as novas tecnologias permitiram dobrar a taxa de ganho genético e triplicar a velocidade de lançamento de produtos. A triagem virtual agora percorre um acervo de 2,6 milhões de compostos da Biblioteca de Moléculas da Bayer, substituindo exames manuais demorados e direcionando testes físicos para as alternativas mais promissoras por meio da tecnologia CropKey, focada em bloquear proteínas específicas de pragas e plantas daninhas.
O avanço tecnológico ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro atinge seu patamar mais alto de maturidade digital. De acordo com o Índice de Transformação Digital Brasil, desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral, o setor alcançou 3,6 pontos em 2025, avançando 0,5 ponto em relação ao ano anterior e aproximando-se da média de 3,7 das empresas brasileiras em uma escala até 6.
