O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou nesta segunda-feira, 12, a identificação e investigação dos militares israelenses que participam do documentário NAZA. A produção aborda a utilização de inteligência artificial e tecnologias na seleção de alvos durante o conflito na Faixa de Gaza.
A ordem foi encaminhada à procuradora-geral Gali Baharav-Miara, ao chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), Eyal Zamir, e ao diretor do Shin Bet, David Zini. Em carta, Netanyahu solicitou a apuração das identidades de todas as 24 fontes anônimas que aparecem no filme, além da abertura de uma investigação criminal por supostas violações de segurança, difamação e danos aos interesses diplomáticos e de segurança de Israel.
Produzido pelo jornal britânico The Guardian e dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, NAZA compila depoimentos de militares e profissionais de inteligência sobre as operações na Faixa de Gaza. O longa aponta que sistemas tecnológicos foram empregados para mapear alvos por meio de um algoritmo que previa uma taxa elevada de mortes civis por ataque. O título remete a um eufemismo adotado pela inteligência israelense para mensurar baixas civis em bombardeios.
Reações e investigações internas
Desde o lançamento, o governo israelense tem criticado a obra e os diretores, que integraram a equipe de Sem Chão, vencedor do Oscar em 2025. Integrantes do governo acusaram Abraham e Szor de traição e sugeriram a remoção de suas cidadanias, enquanto familiares de Szor foram alvos de protestos. Eyal Zamir classificou o filme como um ataque a Israel e apontou disseminação de informações falsas, tendo ordenado anteriormente que autoridades identificassem os soldados envolvidos.
O advogado-geral militar, Itai Ofir, ponderou que uma denúncia criminal depende de evidências de quebra de sigilo ou divulgação de dados confidenciais, embora sanções disciplinares ainda possam ser aplicadas. Em defesa, a Federação Europeia de Jornalistas classificou a busca pelas fontes como intimidação, e o The Guardian sustentou que a apuração envolveu documentos sigilosos e verificação cruzada de dados.
Prêmio e contexto do conflito
NAZA estreou no Festival de Veneza e faturou o Prêmio Especial do Júri. A apuração jornalística ouviu mais de 100 pessoas familiarizadas com os sistemas militares, incluindo comandantes que autorizavam ataques. O filme está em cartaz no Reino Unido, Estados Unidos e estreou no Brasil em 1º de outubro, com lançamento previsto em mais de 50 países.
A guerra em Gaza foi iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, que resultou em mais de 1.200 mortes, majoritariamente de civis, e 251 reféns levados ao enclave. A resposta militar israelense provocou mais de 74 mil mortes e cerca de 175 mil feridos do lado palestino, conforme balanço do Ministério da Saúde local, considerado fidedigno pela ONU.
