Boehringer amplia vendas em mais de 30% na avicultura no 2º trimestre
A Boehringer Ingelheim registrou crescimento expressivo nas vendas de produtos para saúde animal no segundo trimestre de 2026, com avanços em todas as principais espécies atendidas pela companhia. O destaque ficou com a avicultura, segmento em que as vendas cresceram mais de 30% no período, impulsionadas principalmente pela maior procura por vacinas vivas.
Segundo José Peron, head de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim, o resultado reflete uma tendência de maior investimento dos produtores em prevenção de doenças, imunização e bem-estar animal. O movimento ocorre tanto na produção de aves e suínos quanto na pecuária bovina, embora com diferentes tipos de produtos.
“De forma geral, o que nós vemos é uma continuidade do investimento em ferramentas de sanidade, de saúde animal, que vão promover bem-estar, prevenção de doenças e imunização dos rebanhos”, afirmou Peron.
Na avicultura, o crescimento superior a 30% ficou concentrado praticamente todo nas vacinas vivas. De acordo com o executivo, o desempenho ficou bastante acima do mercado e demonstra a maior busca dos produtores por soluções preventivas capazes de reduzir a ocorrência de doenças e melhorar a eficiência dos sistemas de produção.
A estratégia de prevenção também aparece na suinocultura. No segundo trimestre, as vendas para o segmento cresceram cerca de 9%, com forte participação dos produtos biológicos. A demanda esteve concentrada principalmente em soluções para prevenção de doenças entéricas e da circovirose.
Já na pecuária bovina, o comportamento foi diferente. Os principais destaques foram os produtos terapêuticos e os medicamentos utilizados no controle de parasitas. A classe de anti-inflamatórios da companhia apresentou crescimento de aproximadamente 30%, segundo Peron. O executivo relaciona o avanço à busca dos produtores por soluções que contribuam para o bem-estar dos animais.
Os ectoparasiticidas, utilizados no controle de parasitas externos como carrapatos, bernes e bicheiras, também apresentaram desempenho positivo, com crescimento de cerca de 5%, acima do mercado.
A procura por terapêuticos não antibióticos também vem ganhando espaço na produção animal. Para a Boehringer, o movimento não deve ser interpretado apenas como uma resposta às novas exigências de mercados compradores, mas como parte de uma transformação estrutural na produção de proteína.
Peron afirma que a busca por prevenção já ocorre há anos e está relacionada à necessidade de manter os animais saudáveis para aumentar a eficiência produtiva. Animais com menor incidência de doenças e submetidos a melhores condições de bem-estar tendem a apresentar melhor desempenho e conversão alimentar.
O executivo reconhece, porém, que as discussões envolvendo as exigências sanitárias da União Europeia deram novo impulso ao debate sobre o uso de medicamentos e sobre os protocolos de segregação destinados a atender diferentes mercados.
“Esse crescimento dos terapêuticos vai justamente nessa tendência”, disse.
A mudança ganha importância para o Brasil, um dos principais produtores e exportadores mundiais de proteínas animais. Para acessar mercados com diferentes exigências sanitárias, os produtores precisam cada vez mais combinar prevenção, controle de doenças, rastreabilidade e protocolos específicos de produção.
O avanço da demanda por produtos de saúde animal também está relacionado à estratégia de inovação da Boehringer Ingelheim. A companhia mantém investimentos globais de aproximadamente 500 milhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento voltados a todas as espécies animais.
Os recursos são destinados ao desenvolvimento de novas vacinas, terapias e ferramentas para prevenção e tratamento de doenças, além de soluções voltadas ao bem-estar e à produtividade dos animais.
Segundo Peron, o investimento em inovação é contínuo e busca acompanhar a evolução dos desafios sanitários enfrentados pela produção animal em diferentes regiões do mundo.
Um exemplo dessa diferença entre os mercados está nos Estados Unidos. Segundo Peron, problemas relacionados à bicheira e a outras infestações que já haviam sido erradicadas voltaram a exigir atenção dos produtores americanos. No Brasil, por outro lado, o controle de parasitas como berne e bicheira já está incorporado aos protocolos sanitários de parte da pecuária, em razão das condições climáticas e epidemiológicas do país.
“Somos um país tropical, como sabemos, em que há mais mosquitos, há mais vermes e, portanto, isso já faz parte do nosso protocolo preventivo”, afirmou.
A experiência brasileira também pode favorecer a utilização de medicamentos que já são conhecidos pelos produtores locais no combate a problemas sanitários que passaram a preocupar novamente a pecuária norte-americana.
Apesar das diferenças entre os segmentos, a Boehringer mantém uma avaliação positiva para o mercado de saúde animal nos próximos meses. A expectativa está apoiada principalmente na perspectiva de continuidade do consumo de proteínas animais e na posição do Brasil no mercado internacional de carnes.
Peron afirma que a procura por vacinas, produtos biológicos, antiparasitários e terapêuticos tende a permanecer firme diante da necessidade de aumentar a eficiência da produção e reduzir os impactos provocados por doenças.
“Continuamos com uma visão muito otimista sobre o setor”, afirmou.
Além dos impactos econômicos para o setor, a Boehringer defende uma abordagem integrada entre saúde animal e saúde humana. A avaliação é de que a prevenção de doenças nos rebanhos e a adoção de boas práticas de produção são fundamentais para garantir a oferta de proteínas seguras e de qualidade.
O conceito também envolve a prevenção de zoonoses, especialmente na relação entre seres humanos e animais de companhia, e o controle sanitário dos animais destinados à produção de alimentos.
Para a companhia, a discussão sobre saúde animal tende a ganhar ainda mais relevância à medida que os mercados consumidores ampliam suas exigências sobre bem-estar, segurança dos alimentos, prevenção de doenças e sustentabilidade dos sistemas produtivos.
