Impactos da Guerra Comercial
Na última terça-feira, 8, o governo dos Estados Unidos anunciou a proibição, daqui a três semanas, da importação de produtos canadenses como laticínios, motocicletas e a maior parte das bebidas alcoólicas. A medida amplia a guerra comercial entre os dois países e ocorre um dia depois de o Canadá impor tarifas de 27 bilhões de dólares canadenses (20 bilhões de dólares) sobre produtos americanos. Na segunda-feira, 7, o presidente Donald Trump já havia solicitado um boicote à Bombardier, fabricante canadense de jatos executivos que possui forte presença e cadeia de suprimentos nos EUA.
Reflexos na Indústria Aeroespacial
A situação acende dúvidas sobre possíveis benefícios para a brasileira Embraer. Para Fernando Ferrer, sócio da Lifetime Investimentos, o impacto depende da duração das medidas, já que o histórico de Trump aponta para o uso de tarifas como instrumento de negociação, não mudanças permanentes. Além disso, o ciclo longo da indústria aeronáutica impõe limites: a Embraer possui um backlog (carteira de pedidos) de cerca de 35 bilhões de dólares, o que representa de quatro a cinco anos de produção. Assim, qualquer ganho de mercado não seria imediato.
Capacidade Produtiva e Riscos
Davi Lelis, da Valor Investimentos, compartilha da visão de que ganhos concretos seriam de médio prazo (entre 2028 e 2030), uma vez que a capacidade produtiva atual é um limitador. A Embraer, que entregou 65 aeronaves no segundo trimestre de 2026 — seu melhor resultado em 16 anos —, opera próximo ao limite de sua previsão anual. Ademais, há o risco da exposição: como cerca de 75% das vendas de jatos executivos da Embraer são destinadas aos EUA, uma mudança nas atuais isenções tarifárias para o Brasil poderia afetar negativamente a companhia. Por ora, a manutenção dessas isenções é o ponto fundamental para a fabricante brasileira.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/boicote-de-trump-a-bombardier-pode-favorecer-a-embraer-entenda/
