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Economia

Bolsa da Indonésia despenca e tem pior dia desde 1998 após alerta da MSCI

A Bolsa da Indonésia despencou quase 12% em seu pior dia desde a crise de 1998, após alerta da MSCI sobre possível reclassificação para mercado isolado.

Redação•16 de out. de 2026, 16:30
Bolsa da Indonésia despenca e tem pior dia desde 1998 após alerta da MSCI
Imagem: site

Bolsa da Indonésia despenca e tem pior dia desde 1998 após alerta da MSCI

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A Bolsa da Indonésia registrou sua maior queda porcentual diária desde a crise financeira asiática de 1998. O movimento ocorreu após a MSCI emitir um alerta indicando que o país corre o risco de ser retirado de seus índices, o que gerou temores generalizados de fuga de capital e de perda de atratividade para investidores na principal economia do Sudeste Asiático.

Nesta sexta-feira, o índice Jakarta Composite (JCI) despencou quase 12%. A liquidação no mercado indonésio se intensificou logo após a abertura, quando o índice abriu em baixa de 8%, acionando uma interrupção obrigatória de 30 minutos nas negociações. Com o resultado, as perdas acumuladas pelo JCI no ano atingiram cerca de 40%, figurando entre os piores desempenhos globais em 2026. A rupia, moeda relevante da Ásia com pior desempenho no ano, enfraqueceu para 18.070 por dólar — o nível mais baixo desde o fim de julho —, antes de reduzir as perdas e voltar a operar perto de 18.000 por dólar.

Consulta sobre reclassificação e preocupações da MSCI

Na quinta-feira, a MSCI abriu uma consulta para avaliar a reclassificação da Indonésia da categoria de mercado emergente para a classificação de mercado "standalone" (isolada). Caso a mudança seja efetivada, as ações do país serão excluídas dos principais índices acompanhados por fundos globais. Dessa forma, a Indonésia passaria a integrar o grupo que atualmente inclui Argentina, Líbano, Ucrânia e Zimbábue, tornando-se o único país da região da Ásia-Pacífico nessa condição.

A medida representa uma escalada em relação a janeiro, momento em que a MSCI advertiu sobre um possível rebaixamento para mercado de fronteira devido a preocupações com transparência e condições de investimento. Naquela ocasião, o aviso provocou uma liquidação de quase US$ 80 bilhões no mercado acionário indonésio. Diante do escrutínio, autoridades locais anunciaram diversas reformas.

Em seu comunicado mais recente, contudo, a MSCI pontuou que as respostas dos investidores indicam que um rebaixamento para mercado de fronteira não reconheceria a profundidade dos problemas enfrentados. "Não foi observado progresso suficiente de forma consistente em todo o mercado acionário indonésio", declarou a instituição, acrescentando que persistem preocupações significativas sobre disfunções de mercado, suspeitas de operações coordenadas e falta de evidências de fiscalização efetiva.

Reações institucionais e reflexos no cenário macroeconômico

A Autoridade de Serviços Financeiros da Indonésia informou que está analisando cuidadosamente e dedicando séria atenção às avaliações da MSCI. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o regulador destacou que continuará o diálogo com provedores de índices e investidores institucionais ao lado de entidades autorreguladoras, incluindo a bolsa local, para apresentar os avanços das reformas no mercado de capitais e colher sugestões de melhorias.

O período de contribuições da MSCI se estenderá até abril, com o anúncio da decisão final programado para o final de junho de 2027. A entidade ressaltou que poderá emitir atualizações intermediárias durante a consulta.

Analistas do Citi avaliaram que a transição para a categoria "standalone" seria inequivocamente pior do que um rebaixamento para mercado de fronteira, uma vez que não haveria entrada de recursos compensatória por índices de mercado de fronteira e todo o capital passivo atrelado a referências de mercados emergentes precisaria deixar o país.

Paralelamente, o cenário fiscal e a política monetária indonésia também enfrentam pressões. Agências de classificação de risco, como a Moody's e a Fitch, reduziram as perspectivas para a nota soberana do país para negativa neste ano, impulsionadas por amplos programas governamentais que podem impactar as contas públicas. O Bank Indonesia também lida com o desafio de sustentar o crescimento econômico e estabilizar a rupia.

A presidente do Bank Indonesia, Destry Damayanti, afirmou em entrevista na quinta-feira que a estabilidade monetária e financeira permanece como prioridade máxima da instituição. Segundo ela, as decisões continuam condicionadas aos dados e o banco central está preparado para utilizar novos instrumentos caso o cenário global se deteriore.

Para Kok Jun Yong, analista da iFAST, a atualização da MSCI reflete em grande medida um cenário que já era esperado pelo mercado, com boa parte das vendas do ano já precificada. Para o analista, ao contrário de restrições vistas na Argentina ou na Rússia, os problemas da Indonésia estão ligados à governança. "Embora o sentimento deva permanecer cauteloso no curto prazo, acho que, se houver implementação efetiva, especialmente fiscalização real, pode haver espaço para compras oportunistas nesses níveis de preço", avaliou.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/bolsa-da-indonesia-tem-pior-dia-desde-1998-apos-alerta-de-reclassificacao/

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