O mercado financeiro brasileiro registra forte valorização nesta segunda-feira, 5, após o candidato Flávio Bolsonaro (PL) encerrar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes mesmo da abertura oficial da B3, os ativos brasileiros negociados no exterior apresentaram disparadas expressivas em reação ao resultado das urnas e à alteração nas expectativas para o pleito.
Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, apontam que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Os dois concorrentes disputarão o segundo turno marcado para 25 de outubro. O cenário verificado nas urnas contrariou os levantamentos publicados na reta final da campanha, que indicavam Lula numericamente à frente ou um empate técnico entre os candidatos.
A reação dos investidores teve início na noite de domingo. O EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, disparou mais de 10% no chamado overnight. Na manhã desta segunda-feira, a alta superou 12% antes da abertura do mercado nacional. As ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos também acompanharam o movimento, com recibos de ações da Petrobras avançando cerca de 10% no pré-mercado americano, enquanto os da Vale subiram aproximadamente 6%. Bancos brasileiros e outras companhias listadas no exterior operavam em forte alta.
Impacto fiscal e expectativas para a economia
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a movimentação representa uma revisão das expectativas dos investidores diante de um desempenho da oposição superior ao que estava precificado nos ativos. Murad afirma que a alteração na percepção de probabilidade para o segundo turno reduz, no curto prazo, parte do prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros.
O consultor destaca ainda que a reação positiva está conectada às expectativas para a condução da economia a partir de 2027. Segundo Murad, o mercado recalcula o cenário eleitoral precificando a possibilidade de uma trajetória fiscal mais disciplinada, menor pressão sobre a dívida pública e espaço para juros menores no futuro.
Gustavo Assis, CEO da Asset, avalia que uma mitigação duradoura do risco político e fiscal pode ir além da valorização imediata. Para ele, juros de mercado menores e um real mais forte tendem a beneficiar as condições financeiras de empresas e famílias, reduzir custos de captação e estimular investimentos que foram adiados devido à incerteza eleitoral e aos juros elevados. Contudo, Assis ressalta que o efeito permanece concentrado nas expectativas.
Composição do Congresso e próximos passos
Além da disputa presidencial, investidores analisam a configuração política definida nas urnas. Assis aponta que o desempenho de partidos de direita e centro-direita no Congresso e nos governos estaduais gera reflexos na governabilidade a partir de 2027. Na visão do executivo, o Legislativo terá relevância independentemente do vencedor do segundo turno, pois um Congresso fortalecido pode facilitar reformas ou impor limites à agenda econômica do próximo governo.
Apesar da forte reação inicial, Assis e Murad pontuam que a sustentação do movimento dependerá dos próximos passos da campanha, com destaque para as pesquisas do segundo turno, as propostas fiscais dos candidatos, a trajetória da dívida pública, a inflação e o espaço para novos cortes da taxa Selic nas próximas semanas.
