O dólar abriu em forte queda frente ao real nesta segunda-feira, 5, na primeira sessão após o primeiro turno das eleições presidenciais. A moeda americana chegou a recuar mais de 4% e ficou abaixo da marca de 5 reais, após encerrar a sessão de sexta-feira próxima de 5,22 reais. Por volta das 10h, a cotação era de R$ 4,98.
O movimento decorre da reação dos mercados ao resultado das urnas, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) na liderança do primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 45,16%. Ambos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
A valorização do real chamou atenção por ocorrer em direção oposta ao cenário internacional, onde o dólar ganhava força diante de importantes divisas globais, indicando que o fator determinante foi o ambiente doméstico.
Análise de analistas sobre o câmbio
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o recuo representa uma reprecificação do prêmio de risco exigido pelos investidores, e não uma alteração nos fundamentos econômicos. O executivo destaca que as projeções para o câmbio no fim do ano estavam estagnadas em 5,20 reais havia 16 semanas.
“O movimento é forte e precisa ser lido pelo que ele é, que é reprecificação de prêmio de risco, não mudança de fundamento. Quando algo travado por quatro meses rompe em uma manhã, não é a economia que mudou, é o prêmio que o investidor cobrava que foi retirado”, afirmou Matos.
Caso a valorização da moeda brasileira se mantenha, o câmbio reduzido pode abrandar custos de produtos importados ou atrelados ao mercado internacional, citando combustíveis, fertilizantes e insumos. A menor pressão nos preços também tenderia a favorecer a inflação e abrir espaço para cortes de juros pelo Banco Central.
Contudo, o CEO recomenda cautela e aponta que os fundamentos fiscais persistem inalterados, com a dívida bruta em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e resultado primário negativo, além do pleito presidencial ainda contar com o segundo turno.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, compartilha da visão de que a reação positiva não anula as incertezas para a moeda norte-americana. Conforme o especialista, o segundo turno e os desafios fiscais permanecerão no radar do mercado, independentemente do vencedor do pleito.
“A eleição ainda não terminou, com o segundo turno pela frente, e o cenário pode mudar. Além disso, independentemente de quem vencer a disputa presidencial, o Brasil continuará enfrentando desafios importantes, principalmente no campo fiscal”, declarou Alves.
Com a baixa da cotação americana, o estrategista aponta que a conjuntura pode funcionar como oportunidade para investidores ampliarem a exposição internacional, reforçando a relevância da diversificação devido a possíveis pressões futuras vindas do cenário externo e da política nacional.
