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Bósnia realiza eleições gerais com foco na União Europeia e disputa geopolítica

Eleitores da Bósnia vão às urnas em pleito que define o futuro da adesão à União Europeia e reflete disputas geopolíticas entre Rússia e EUA.

Redação•04 de out. de 2026, 14:39
Bósnia realiza eleições gerais com foco na União Europeia e disputa geopolítica
Imagem: site

Bósnia realiza eleições gerais com foco na União Europeia e disputa geopolítica

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Eleitores da Bósnia e Herzegovina compareceram às urnas neste domingo (4) para participar de um pleito que pode impactar diretamente a trajetória de adesão do país à União Europeia. O processo eleitoral também evidencia a disputa por influência entre a Rússia e os Estados Unidos na região dos Bálcãs.

Durante a votação, a população escolhe a presidência colegiada de três membros, o Parlamento nacional e representantes para os legislativos das duas entidades que compõem o território nacional. De acordo com o presidente da Comissão Eleitoral Central, Jovan Kalaba, alguns locais de votação precisaram ser temporariamente fechados devido a falhas no sistema de votação eletrônica.

Para tentar conter fraudes, as autoridades implementaram cédulas redesenhadas, identificação biométrica dos eleitores e leitores eletrônicos. O clima entre o eleitorado é marcado por insatisfação diante da desaceleração econômica, da lentidão nas negociações com a União Europeia e de uma crise política prolongada. Partidos dominantes ligados a diferentes grupos étnicos têm bloqueado com frequência as decisões do governo central.

A Bósnia obteve o status de candidata à União Europeia em dezembro de 2022 e recebeu autorização para iniciar as negociações de adesão em 2024. Contudo, as conversas ainda não foram iniciadas porque lideranças políticas deixaram de aprovar medidas essenciais, como leis de combate à corrupção e o fortalecimento da supervisão judicial.

Contexto político e divisões étnicas

O país permanece dividido desde o fim da guerra (1992–1995) pelo Acordo de Dayton, mediado pelos Estados Unidos. A nação é composta pela Republika Srpska, de maioria sérvia, e pela Federação da Bósnia e Herzegovina, de maioria bósnia e croata, unidas por um governo central e pela presidência colegiada.

A disputa opõe siglas tradicionais baseadas em divisões étnicas — como o SDA (de maioria bósnia), o SNSD (ligado aos sérvios) e o HDZ BiH (dos croatas) — a coalizões multiétnicas de oposição lideradas pelo Partido Social-Democrata. Dados da plataforma de monitoramento Poliwave apontam o SDA na liderança nacional com 21,4% das intenções de voto, seguido pelo SDP com 16,7%. Na Republika Srpska, o SNSD, partido do líder separatista Milorad Dodik, lidera com 34,2%.

A candidata do SNSD à presidência colegiada, Zeljka Cvijanovic, que busca o segundo mandato, declarou: “Estamos escolhendo aqueles que podem administrar determinados processos, construir a sociedade e tornar a Republika Srpska pacífica e estável”.

Por outro lado, eleitores expressam exaustão com o cenário político. Ismar Garasljevic, professor de 51 anos em Sarajevo, afirmou: “Mais de 30 anos depois da guerra, a situação continua a mesma; estamos falando de nacionalismo… As mesmas caras, a mesma história, constantemente.”

Participação e cenário internacional

A taxa de participação eleitoral alcançou 11,94% às 11h (9h de horário de Brasília), índice inferior aos cerca de 15% registrados no mesmo horário durante o pleito de 2022. Os primeiros resultados oficiais devem ser divulgados pela comissão eleitoral após o fechamento das urnas, previsto para as 19h no horário local.

No âmbito internacional, a União Europeia busca expandir sua presença nos Bálcãs, enquanto a Rússia mantém sustentação à Republika Srpska com o objetivo de dificultar o avanço do país rumo ao bloco europeu. Os Estados Unidos também tentam ampliar sua atuação na região, defendendo um projeto de US$ 1,5 bilhão voltado à importação de gás natural liquefeito americano, que seria gerido por uma empresa ligada ao governo Trump, embora a UE tenha questionado a transparência do processo seletivo. Divergências entre Washington e Bruxelas também envolvem a atuação do Alto Representante internacional, figura que detém poderes para fazer cumprir leis no país conforme o Acordo de Dayton.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/noticias/bosnia-vota-em-eleicao-que-pode-destravar-entrada-na-uniao-europeia/

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