O Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um memorando de entendimento com a OCP Nutricrops nesta sexta-feira (18) para ampliar a cooperação no setor de fertilizantes. O documento estabelece como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados pela OCP Nutricrops a operadores brasileiros a partir deste ano.
O acordo preliminar formaliza expectativas, direitos e deveres entre as partes antes da assinatura de um contrato definitivo. Conforme o comunicado do Ministério da Agricultura, a aquisição depende das condições comerciais negociadas diretamente entre a OCP e os operadores brasileiros envolvidos.
A assinatura ocorreu durante a visita do ministro André de Paula à planta industrial da empresa em Jorf Lasfar, no Marrocos. A negociação havia sido antecipada pelo ministro em entrevista exclusiva ao programa CNN Agro News na semana anterior à viagem. O volume de 3,8 milhões de toneladas representa 76% do déficit de 5 milhões de toneladas projetado pelo governo brasileiro para a safra 2026/2027.
Além da meta de fornecimento, o acordo prevê parcerias em agricultura sustentável e de baixas emissões de carbono, mapeamento e caracterização de solos, bioinsumos, biofertilizantes e soluções de nutrição vegetal voltadas para as condições do Brasil. O texto também contempla intercâmbio de conhecimentos técnicos, capacitação profissional e a identificação de oportunidades de investimento, produção, transformação, armazenamento e logística na cadeia do setor. As partes também poderão trocar dados sobre oferta, demanda e perspectivas de mercado, além de promover iniciativas de agricultura digital.
A OCP Nutricrops atua em Jorf Lasfar, um complexo industrial e portuário no Marrocos que abrange 2 mil hectares e possui capacidade para produzir 15 milhões de toneladas anuais em mais de 100 formulações de fertilizantes.
Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, o ministro André de Paula ressaltou que o Brasil é uma potência agrícola, mas que não há segurança alimentar sem segurança de insumos. Na viagem ao Marrocos, também foram debatidas a presença da OCP no Brasil e suas atividades no país.
Atualmente, cerca de 92% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados. Conflitos como a guerra entre Irã e Estados Unidos, iniciada em fevereiro, afetaram rotas de transporte e elevaram a preocupação com o abastecimento do insumo. Em entrevista à CNN Brasil, o ministro declarou que “o fantasma do desabastecimento está definitivamente descartado”.
De Paula apontou que a estratégia governamental ocorre em duas frentes: buscar fornecedores para garantir suprimentos no curto prazo e ampliar a produção interna para diminuir a dependência externa no longo prazo, o que inclui a reabertura de fábricas de fertilizantes da Petrobras — três unidades já foram reabertas e uma quarta no Mato Grosso do Sul está em andamento. Mesmo com o aumento da produção nacional, o país continuará dependente de importações, sobretudo de fosfatados. A Rússia tem figurado entre os maiores fornecedores, e uma missão realizada no início do ano também garantiu a ampliação do fornecimento de nitrogenados e NPK pela China.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/brasil-garante-milhoes-de-toneladas-de-fertilizantes-com-marrocos/
