O Brasil deve paralisar temporariamente as remessas de carne de frango direcionadas à China, principal compradora do item nacional. A decisão ocorre em virtude da confirmação de um foco da doença de Newcastle (DNC) em uma granja comercial de perus situada no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina.
A paralisação está prevista dentro de um protocolo sanitário estabelecido bilateralmente entre os dois países. Diante da identificação de uma enfermidade infecciosa aviária no território brasileiro, o Ministério da Agricultura tem a obrigação de interromper preventivamente os envios ao mercado chinês. Posteriormente, caberá às autoridades do país asiático analisar os dados repassados pelo governo do Brasil para definir a abrangência das sanções, podendo impor um embargo nacional ou restringir a proibição somente à zona afetada, o que viabilizaria a continuidade das vendas de locais livres do problema.
Para reverter a situação, o governo brasileiro precisa notificar a China sobre as providências tomadas para conter e eliminar o foco, além de demonstrar a recuperação dos padrões sanitários exigidos pelo pacto. Um precedente ocorreu em 2024, quando um caso semelhante no Rio Grande do Sul resultou na interrupção das vendas em 19 de julho daquele ano. Vinte e seis dias depois, a China autorizou a volta das compras, mantendo a restrição apenas para o território gaúcho — medida que vigorou até janeiro do ano corrente.
Além do mercado chinês, o México também adotou restrições comerciais. Na segunda-feira (19), o governo mexicano interrompeu a entrada de carne de frango, aves vivas, ovos férteis e demais artigos avícolas do Brasil. A decisão foi formalizada pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México com o propósito de blindar sua avicultura interna contra o patógeno.
Em solo catarinense, a propriedade afetada abriga aproximadamente 6 mil perus e foi interditada pelo Serviço Veterinário Oficial de Nova Itaberaba. O local passou a receber intervenções voltadas à contenção e erradicação do foco, acompanhadas pelo adensamento da fiscalização sanitária nas redondezas.
Por meio de comunicado oficial, o Ministério da Agricultura esclareceu que o trânsito de aves foi paralisado e que as estratégias de contenção obedecem ao plano nacional de contingência para influenza aviária e doença de Newcastle. A pasta, juntamente com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), reforçou que a população não corre riscos e que o consumo de ovos e carne de aves oriundos de locais com inspeção oficial continua seguro.
