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Brasil emagrece na clandestinidade: Consumo de canetas dispara, mas 50% do mercado é irregular

Estudo aponta que o consumo de canetas emagrecedoras cresceu 244% no Brasil em 2026, mas 53,8% das doses circulam fora do mercado farmacêutico formal.

Redação•26 de ago. de 2026, 09:09
Brasil emagrece na clandestinidade: Consumo de canetas dispara, mas 50% do mercado é irregular
Imagem: site

Brasil emagrece na clandestinidade: Consumo de canetas dispara, mas 50% do mercado é irregular

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O Brasil enfrenta atualmente um cenário paradoxal e alarmante: o medicamento mais procurado no país é, em mais da metade das vezes, obtido fora das farmácias oficiais. Um levantamento realizado pela Scanntech revela que o consumo de fármacos à base de GLP-1, classe que engloba a semaglutida e a tirzepatida, apresentou um crescimento de 244% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse índice considera tanto o mercado formal quanto as estimativas de consumo informal.

Ritmo de vendas e a ascensão do mercado informal

A evolução do consumo apresentou variações trimestrais, com uma alta de 281% nos primeiros três meses de 2026 e 217% no segundo trimestre. Embora as vendas em farmácias regularizadas tenham avançado 67% no semestre, o mercado informal cresceu em uma velocidade superior. Pela primeira vez, a informalidade tornou-se a maioria no país: no primeiro semestre de 2026, 53,8% das doses de GLP-1 em circulação tiveram origem fora dos canais formais, enquanto 46,2% foram comercializadas legalmente.

Metodologia de medição e a correlação com seringas

Como não há uma contagem direta para o mercado clandestino, a Scanntech utiliza um método indireto baseado em efeitos colaterais do mercado. O estudo infere o volume informal ao observar o crescimento desproporcional nas vendas de seringas de insulina em farmácias, que superou o que seria esperado apenas para o tratamento de diabetes. Esse excedente serve como base para estimar as aplicações de produtos manipulados, importados sem registro ou adquiridos em canais não regulados. Trata-se de uma estimativa baseada em correlação, e não de um censo dose a dose.

Queda de patentes e novos comportamentos de consumo

A perda da patente da semaglutida em março de 2026 impulsionou o mercado ao permitir a entrada de medicamentos com preços reduzidos. Essa mudança atua em duas frentes: pode atrair consumidores de volta ao mercado formal devido à menor diferença de preço e, simultaneamente, ampliar o total de interessados no tratamento. Uma pesquisa qualitativa com mais de 2 mil adultos indicou que 37% dos não usuários estariam propensos a iniciar o tratamento com opções mais acessíveis.

Impacto na economia e nos hábitos alimentares

O uso do GLP-1 está reorganizando o carrinho de compras dos brasileiros. O levantamento aponta uma queda no consumo de itens de indulgência, como bebidas e mercearia, enquanto categorias de saúde registram alta: alimentos frescos (11,5%), academia e bem-estar (9,6%), suplementos proteicos (9,1%), água (7,9%) e vitaminas (7,4%).

Riscos à saúde pública e fiscalização

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para os perigos de sites e perfis falsos. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas quase três mil notificações de eventos adversos ligados a esses medicamentos, muitos decorrentes de uso sem acompanhamento médico. As apreensões de produtos irregulares saltaram de centenas em 2024 para dezenas de milhares em 2025. Os riscos incluem falta de esterilização, dosagem incerta e falsificações. Como reflexão final, fica o questionamento médico: você aceitaria um tratamento para uma doença grave, como o câncer, vindo de uma origem duvidosa?

Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/o-brasil-emagrece-na-clandestinidade-consumo-de-canetas-dispara-mas-mais-de-50-delas-sao-irregulares/

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