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Brasil registra 1,5 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil em 2025

Pesquisa do IBGE aponta que o Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, menor número da série histórica iniciada em 2016.

Redação•16 de out. de 2026, 10:30
Brasil registra 1,5 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil em 2025
Imagem: site

Brasil registra 1,5 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil em 2025

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O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil no ano de 2025, o que representa uma queda de 9,2% em comparação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e apontam o menor número e a menor proporção desde o início da série histórica, em 2016.

Em 2016, o país contabilizava 2,1 milhões de jovens nessa condição, o que equivalia a 5,2% da população daquela faixa etária. Em 2025, a proporção recuou para 4%, indicando cerca de 151 mil crianças e adolescentes a menos no trabalho infantil em relação ao período anterior.

Piores formas de trabalho infantil e perfil

Apesar da redução, mais de um terço das pessoas envolvidas em atividades econômicas — cerca de 525 mil indivíduos, ou 36,2% — atuavam nas chamadas piores formas de trabalho infantil. Essas ocupações envolvem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento, conforme a Lista TIP (Decreto nº 6.481, de 2008). O total representa uma queda de 6,3% frente a 2024, quando a estimativa era de 560 mil, e uma retração acumulada de 42,9% em relação a 2016, quando havia 919 mil casos.

O perfil desse grupo demonstra que 72,6% eram meninos, 68,3% pretos ou pardos, e 333 mil tinham entre 16 e 17 anos, faixa etária que concentrava mais de 60% dessas ocorrências graves.

Considerando o total geral do trabalho infantil em 2025:

  • 16 e 17 anos: 871 mil pessoas (14,5% da população da faixa etária ou 58,1% do total).
  • 14 e 15 anos: 348 mil pessoas (5,9% da faixa etária).
  • 5 a 13 anos: 280 mil casos (1,1% do total), sendo que 190 mil exerciam atividades voltadas ao próprio consumo, como a produção de alimentos para a família.

Em termos demográficos gerais, 65,4% eram meninos e 34,6% meninas; 67% eram pretos ou pardos.

Educação, rendimento e informalidade

Entre os adolescentes de 16 e 17 anos ocupados, 67% (cerca de 705 mil) estavam na informalidade, a menor taxa da série histórica, abaixo dos 76,3% registrados em 2022. No quesito educacional, a taxa de escolarização entre os jovens em trabalho infantil foi de 86,9%, inferior aos 97,5% observados para o total da população de 5 a 17 anos. Entre os de 16 e 17 anos nessa situação, 79,6% frequentavam a escola, contra 89,6% do total geral da mesma idade.

O rendimento médio mensal das crianças e adolescentes em trabalho infantil foi de R$ 936. Os que ainda estudavam recebiam em média R$ 844, enquanto os que haviam deixado a escola ganhavam R$ 1.326.

Distribuição regional

O Sudeste liderou em números absolutos de crianças e adolescentes em trabalho infantil, com 481 mil pessoas, seguido pelo Nordeste (408 mil), Norte (249 mil), Sul (233 mil) e Centro-Oeste (128 mil). No entanto, em termos proporcionais à população jovem de cada região, o Norte apresentou a maior taxa do país (6,3%), enquanto o Sudeste registrou a menor (3,3%). O Nordeste obteve a maior redução acumulada entre 2016 e 2025, de 45,6%.

Impacto do Bolsa Família

A queda do trabalho infantil concentrou-se fortemente entre famílias beneficiárias do Bolsa Família. De 2024 para 2025, o número de jovens em trabalho infantil nesses domicílios caiu 20,1%, somando 573 mil pessoas (4,4% da faixa etária nas famílias atendidas). Essa retração representou 144 mil casos a menos, respondendo por mais de 95% da queda nacional de 151 mil registros no período. O levantamento ressalta que a comparação não permite isolar o programa como causa exclusiva da redução.

Fiscalização e denúncias

Na frente de controle estatal, o Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais em 2025, resultando no afastamento de 4.318 crianças e adolescentes, o maior patamar em 10 anos. Minas Gerais (830) e São Paulo (629) encabeçaram os afastamentos estaduais. As denúncias também cresceram: o Disque 100 registrou cerca de 5,1 mil denúncias (alta de 19,4%), e o Ministério Público do Trabalho recebeu aproximadamente 7,9 mil denúncias (avanço de 36,6%).

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/16/brasil-tem-15-milhao-de-criancas-e-adolescentes-no-trabalho-infantil-menor-numero-desde-2016.ghtml

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