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Economia

Bremmer aponta setores de guinada do Brasil em direção a Trump com Flávio Bolsonaro

Cientista político Ian Bremmer aponta áreas em que o Brasil se aproximaria dos EUA de Donald Trump em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Redação•05 de out. de 2026, 16:30
Bremmer aponta setores de guinada do Brasil em direção a Trump com Flávio Bolsonaro
Imagem: site

Bremmer aponta setores de guinada do Brasil em direção a Trump com Flávio Bolsonaro

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Uma eventual chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil resultaria em uma rápida guinada do país em direção aos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, abrangendo setores desde a segurança pública até os minerais críticos. A análise consta na mais recente carta sobre riscos políticos e geopolíticos globais elaborada pelo cientista político Ian Bremmer.

De acordo com o especialista, o setor de segurança pública sofreria a alteração mais imediata. Bremmer aponta que o Brasil passaria a integrar o Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos voltada à coordenação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico continental, o que incluiria compartilhamento de inteligência, aplicação de sanções e eventuais operações conjuntas entre os países envolvidos. A estratégia de Washington já classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações ligadas ao narcoterrorismo. Na visão do analista, Flávio Bolsonaro também adotaria a classificação de organizações criminosas como terroristas e apoiaria ações coordenadas no território brasileiro e em águas marítimas com o envolvimento da inteligência e das Forças Armadas dos Estados Unidos, divergindo da atual postura do Brasil, que tem resistido a essa estratégia de segurança.

Outro setor sensível destacado é o de minerais críticos, fundamentais para a fabricação de baterias, semicondutores, veículos elétricos, data centers e equipamentos militares. Segundo Bremmer, Flávio desmontaria uma parcela relevante da política nacional formulada por Lula para a área, alinhando a estratégia brasileira aos interesses norte-americanos, que buscam cadeias de suprimento menos dependentes da China.

A projeção ganha relevância diante do fato de que Lula sancionou, há menos de três semanas, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A nova lei prioriza o beneficiamento e a transformação dos minérios no território nacional, a transferência de tecnologia, a agregação de valor e o estabelecimento de mecanismos de controle sobre alterações societárias e o capital estrangeiro em ativos estratégicos. Essa questão representa um ponto central de disputa entre Washington e Pequim, com a administração Trump buscando ampliar o acesso às reservas brasileiras de terras raras e diminuir a influência chinesa.

Bremmer aponta ainda perspectivas de maior aproximação com os Estados Unidos em inteligência artificial e tecnologia, avaliando que o Brasil tem ficado defasado nesses segmentos e que a atenção de Flávio, somada à proximidade com o governo Trump, poderia alterar esse cenário. Contudo, essa guinada encontraria um limite na China.

Apesar da retórica crítica histórica da família Bolsonaro em relação ao governo chinês, Bremmer avalia que um eventual governo de Flávio não conseguiria ou pretenduria romper economicamente com Pequim. A China permaneceria como parceira comercial e tecnológica essencial, o que é sustentado por dados que mostram que, entre janeiro e agosto, o mercado chinês absorveu 30,7% das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos receberam 9,6%, além de a China ter liderado as importações brasileiras em agosto com 25,7% de participação.

No âmbito da economia doméstica, Bremmer aponta uma quarta frente de alteração, estimando que um eventual governo Flávio priorizaria uma reforma fiscal abrangente na agenda central, visando viabilizar taxas de juros menores e aprimorar o ambiente de investimentos. O cenário delineado na carta aponta para um país que busca deslocar seu eixo estratégico em direção a Washington sem abdicar de sua dependência econômica em relação a Pequim.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/os-setores-em-que-bremmer-preve-uma-guinada-do-brasil-em-direcao-a-trump/

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