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Cabul pode ficar sem água até 2030 devido à crise hídrica extrema

Cabul pode ficar sem água até 2030, apontam especialistas e relatório, enfrentando escassez extrema, crise climática e rápido crescimento populacional.

Redação•10 de out. de 2026, 08:56
Cabul pode ficar sem água até 2030 devido à crise hídrica extrema
Imagem: site

Cabul pode ficar sem água até 2030 devido à crise hídrica extrema

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A capital do Afeganistão, Cabul, enfrenta uma escassez extrema de água e caminha para se tornar a primeira cidade moderna a ficar sem água, um cenário que pode se concretizar já em 2030, conforme relatório da organização sem fins lucrativos Prosper Global. A cidade lida com o rápido crescimento populacional, infraestrutura inadequada, décadas de conflito e os impactos da crise climática.

Moradores relatam as dificuldades diárias decorrentes da falta de água encanada. Shazia, de 34 anos, moradora do bairro Khair Khana, precisa caminhar diariamente com os filhos até uma mesquita local para enfrentar filas em uma bomba manual e encher baldes. Mirza Jan, residente no bairro Taimani, relata que o poço cavado em 1990 precisou ser aprofundado ao longo dos anos devido à seca das águas subterrâneas, atingindo mais de 210 metros de profundidade com recursos enviados por filhos que moram nos Estados Unidos. Já Asadullah Ahmadi gasta pelo menos 150 afeganes por dia, valor expressivo de sua renda, para abastecer sua família com água que muitas vezes precisa ser fervida.

Segundo especialistas, a situação em Cabul é descrita como "falência hídrica" por Najibullah Sadid, pesquisador de água e meio ambiente. Os níveis das águas subterrâneas despencaram quase 30 metros na última década, gerando um déficit estimado em mais de 43,9 milhões de metros cúbicos por ano, com quase metade dos poços artesianos da cidade secando. A demanda crescente de casas, estufas e empresas soma-se à crise climática, marcada por seis anos consecutivos de seca, queda nos níveis de neve e superfícies impermeáveis que dificultam a recarga dos aquíferos durante enchentes.

A população da cidade saltou de menos de 1 milhão em 2001 para cerca de 6 milhões atualmente, impulsionada pelo retorno de afegãos após a queda do Talibã, pela expulsão em larga escala de países vizinhos como Irã e Paquistão, e pela migração rural. A alta densidade populacional e a construção de prédios verticais pressionam ainda mais os recursos hídricos.

A crise afeta de forma mais severa os mais pobres, que chegam a gastar até 30% de sua renda total com água comercializada por caminhões-pipa privados a preços inflacionados. Além disso, até 80% das águas subterrâneas em grandes áreas da cidade estão contaminadas por esgoto e arsênio, conforme aponta Jalal Naser Faqiryar.

Projetos para aproveitar águas superficiais, como a construção da represa de Shahtoot — financiada pela Índia — e de uma tubulação de 200 quilômetros para trazer água do rio Panjshir, enfrentam paralisações, oposições do Paquistão ou estão apenas na fase de levantamento. O Ministério de Energia e Água do Afeganistão, por meio de seu porta-voz Matiullah Abid, afirmou que o governo está tomando medidas, como a construção de represas, milhares de poços para recarga subterrânea e o controle do uso comercial da água.

No entanto, com o retorno do Talibã ao poder em 2021 e a falta de reconhecimento internacional do grupo devido a violações de direitos humanos, a ajuda internacional despencou. Especialistas como Mohd Faizee e Susanne Schmeier alertam que a falta de recursos e tempo pode transformar a situação em uma catástrofe humanitária e forçar moradores a abandonarem suas casas em busca de alternativas que mal existem no país ou na região.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/cabul-enfrenta-escassez-extrema-e-pode-ficar-sem-agua-ate-2030/

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