A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a possibilidade de assegurar uma virada no segundo turno depende fundamentalmente de diminuir a abstenção de eleitores, com foco especial na região Nordeste. Dados indicam que o primeiro turno registrou um total de 21,08% de faltosos, representando a maior taxa de abstenção desde 1998 entre os 33,4 milhões de brasileiros que deixaram de comparecer às urnas.
Diante de margens limitadas para captar votos de candidatos derrotados na disputa presidencial, a coordenação de campanha planeja engajar o eleitorado ausente e utilizar o chamado "discurso do medo". A estratégia consiste em destacar uma suposta ameaça que Flávio Bolsonaro representaria à soberania nacional e a programas sociais vigentes.
Como parte dos movimentos voltados ao Nordeste, a equipe de Lula integrou nomes fortes da região para o segundo turno. Entre os articuladores estão os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí, que devem ceder membros de suas equipes para colaborar com a campanha presidencial. Também foram incorporados os vitoriosos ao Senado pela Bahia Rui Costa e Jaques Wagner, além de Camilo Santana, que direciona agora sua atenção para a disputa nacional após atuar na reeleição de Elmano de Freitas no Ceará.
Na quarta-feira (7), Lula tem agenda com parlamentares expressivos da esquerda para debater a comunicação digital da campanha. Estão confirmadas as presenças de Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Ana Elisa, candidata petista mais votada para o Legislativo em nível nacional e segunda mais votada em Minas Gerais, com 524 mil votos.
A reunião ocorre após críticas públicas feitas por Ana Elisa sobre a estratégia digital da equipe de Lula no primeiro turno. A parlamentar apontou falhas na transmissão das realizações do governo pelas redes sociais e defendeu que a reformulação da linguagem digital e a aproximação com a juventude serão decisivas para enfrentar o adversário e combater a abstenção eleitoral.
