A propaganda do PT busca reescrever um slogan utilizado por aliados de Jair Bolsonaro na campanha presidencial. A nova estratégia consiste em inverter a frase dita pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, na Avenida Paulista, durante um comício no feriado da Independência que reuniu cerca de 30 000 apoiadores. Na ocasião, o senador abriu seu discurso pedindo a saída de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e de Lula da Presidência, afirmando que "quem vota em Lula está votando em Moraes".
No dia 15, oito dias após o ato na Paulista e em meio a uma sessão do STF marcada por discussões sobre investigar Moraes devido a suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro utilizou o horário eleitoral gratuito para alegar que Lula governa ao lado de uma parte do Supremo que teria descumprido a lei. Em reação, Lula declarou que o ministro André Mendonça, responsável por expor mensagens de Vorcaro a Moraes, atuaria com motivações políticas e eleitorais para beneficiar o adversário. O candidato do PL pediu 134 milhões de reais ao ex-dono do Banco Master para financiar a cinebiografia de seu pai.
Como resposta, a peça de comunicação petista passou a sustentar que quem "vota em Flávio Bolsonaro vota em Daniel Vorcaro". O secretário nacional de comunicação do partido, Éden Valadares, divulgou uma arte com a frase e afirmou que existe apenas um candidato à Presidência investigado por envolvimento no escândalo do Banco Master, que pediu e recebeu milhões de reais do banqueiro e possui endereço ligado ao Careca do INSS.
Segundo o professor de ciência política Pedro Castelo Branco, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, há uma assimetria na repercussão do caso de Moraes sobre as campanhas. Para ele, o caso do filme "Dark Horse" vincula diretamente Flávio Bolsonaro, que está em empate técnico, enquanto Lula não está ligado ao envolvimento sob investigação envolvendo o ministro Alexandre Moraes e sua esposa com Daniel Vorcaro. O acadêmico aponta ainda que Moraes teve protagonismo no 8 de Janeiro e ficou associado à proteção do presidente Lula.
