A situação econômica e o custo de vida têm gerado preocupações na campanha à reeleição do presidente Lula. Na quinta-feira 17, o chefe do Executivo anunciou um reajuste de 15% nos valores do programa Bolsa Família, que atende aproximadamente 50 milhões de brasileiros. A medida, divulgada a dezessete dias do primeiro turno da eleição, terá um custo de 5,8 bilhões de reais em 2027 e 22,7 bilhões de reais ainda neste ano, de acordo com as informações divulgadas.
O governo argumentou que a iniciativa teve o propósito de repor as perdas inflacionárias acumuladas desde março de 2023. No entanto, a medida ocorre em um cenário em que a população demonstra insatisfação com a alta dos preços. Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira 17 aponta empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno, com o atual presidente registrando 46% contra 44% do adversário. Entre os beneficiários do Bolsa Família, a vantagem do petista é de 60% a 33%.
Com o reajuste, o repasse mínimo por família passará de 600 reais para 691 reais. A gestão federal busca ampliar sua vantagem nesse estrato social e combater a abstenção, uma vez que, no pleito anterior, eleitores de baixa renda e com escolaridade até o ensino fundamental representaram 20% das ausências nas urnas.
Endividamento recorde e impacto na economia
Apesar de destacar avanços em indicadores de emprego e renda, Lula lida com o descontentamento popular em relação à economia, impulsionado pelo endividamento recorde das famílias brasileiras. Pesquisas indicam que a maioria da população percebe preços mais elevados nos supermercados, enquanto o governo pondera que a inflação está nos patamares mais baixos dos últimos anos.
A oposição, representada por Flávio Bolsonaro, tem explorado o tema nas redes sociais e na propaganda eleitoral ao exibir valores de alimentos em supermercados para ilustrar a dificuldade financeira dos consumidores. Como reação, Lula tem argumentado que os preços eram mais elevados durante a administração de Jair Bolsonaro.
Diante do cenário de carestia e do impacto sobre o custo de vida — que abrange despesas com comida, luz e gasolina —, o presidente solicitou à equipe econômica uma nova rodada de renegociação de dívidas para pessoas físicas. Além disso, o governo tem responsabilizado as apostas esportivas, conhecidas como bets, pelo endividamento de trabalhadores que comprometem parte de sua renda com os jogos, mesmo após a regulamentação do setor que prevê arrecadação anual de 12 bilhões de reais.
Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/bolso-do-eleitor-assombra-a-campanha-a-reeleicao-de-lula/
