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Canadá busca aliança única com a UE em meio a tensões comerciais com os EUA

Em meio a tensões comerciais com os EUA e tarifas impostas por Trump, o primeiro-ministro Mark Carney busca estabelecer uma aliança inédita com a União Europeia.

Redação•16 de set. de 2026, 08:14
Canadá busca aliança única com a UE em meio a tensões comerciais com os EUA
Imagem: site

Canadá busca aliança única com a UE em meio a tensões comerciais com os EUA

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O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o Canadá está em busca de uma "aliança única" com a União Europeia (UE). A iniciativa reflete os esforços de Ottawa para reduzir sua dependência econômica dos Estados Unidos, em meio ao agravamento de uma guerra comercial impulsionada por tarifas adotadas pelo presidente americano Donald Trump.

Segundo informações divulgadas pelo jornal The Wall Street Journal e relatadas por fontes familiarizadas com o assunto, Carney pressionou por laços mais estreitos com o bloco europeu e instruiu um enviado especial a explorar possibilidades que ficassem abaixo da adesão plena ao mercado comum da UE. Falando a repórteres, o primeiro-ministro esclareceu que o país não busca se tornar um Estado-membro da UE, mas sim estabelecer discussões para uma parceria singular.

"Compartilhamos os mesmos valores, temos as mesmas prioridades e possuímos pontos fortes muito complementares", declarou Carney, que tem viagem programada para discursar no Parlamento Europeu.

Possibilidades e barreiras para a integração

Embora o Canadá compartilhe valores democráticos, sistemas de bem-estar social e até mesmo uma pequena fronteira terrestre com a Dinamarca na Ilha Hans, a adesão plena como Estado-membro enfrenta obstáculos geográficos e burocráticos. O processo exige a aprovação unânime de todos os 27 países que atualmente compõem o bloco, além do fato de o país estar localizado fora do continente europeu.

A alternativa em discussão envolve a criação de um papel personalizado de alta integração, equiparado ao status de "membro associado". Autoridades de ambos os lados discutem medidas que incluem:

  • Redução de barreiras comerciais;
  • Instalação de cabos submarinos de conexão entre a Europa e o Canadá;
  • Redirecionamento de gasodutos para garantir acesso europeu ao gás canadense;
  • Construção de novas infraestruturas voltadas à tecnologia e inteligência artificial;
  • Concessão de direitos para que cidadãos canadenses possam viver e trabalhar na Europa sem a exigência de visto.

O embaixador da UE no Canadá classificou a proposta como inédita, enquanto o Parlamento Europeu anunciou a abertura de um novo escritório de representação em Ottawa para fortalecer o diálogo político.

As trocas comerciais entre as duas regiões já registram expansão contínua desde a implementação parcial do Acordo Econômico e Comercial Abrangente (CETA) em 2017. Dados da Comissão Europeia mostram que o comércio bilateral de bens e serviços alcançou 130,8 bilhões de euros (R$ 776,2 bilhões) no ano passado, registrando alta superior a 80% na última década.

Repercussão entre líderes internacionais

Mark Carney assumiu o cargo de primeiro-ministro em março de 2025 e tem cultivado alianças estratégicas na Europa. Em sua primeira viagem oficial ao exterior, rompendo com a tradição recente, ele optou por ir a Paris e definiu o Canadá como "o mais europeu dos países não europeus".

A aproximação encontrou eco em lideranças europeias. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, manteve conversas frequentes com Carney e declarou à CBC News que consegue imaginar uma parceria estratégica profunda. Stubb questionou publicamente: "Não seria maravilhoso se o Canadá fosse o 28º Estado da União Europeia, em vez do 51º Estado dos Estados Unidos?".

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, também levantou a hipótese de uma futura integração canadense ao bloco. No entanto, o cenário não é unânime: dez Estados-membros ainda não ratificaram formalmente o tratado comercial firmado em 2016.

Opinião pública e oposição no Canadá

Pesquisas de opinião interna refletem divisão e apoio cauteloso à aproximação. Levantamento realizado pela Abacus Data apontou que 80% dos canadenses defendem maior cooperação com a UE em defesa, política externa e economia — alta de 6 pontos percentuais em relação a fevereiro. Cerca de 56% disseram que o país compartilha mais afinidades com a Europa do que com os EUA, e 49% apoiam a adesão à UE, índice mais forte entre eleitores de centro e esquerda.

Por outro lado, setores da população expressam receio de que a medida isole o Canadá de seu principal parceiro comercial e cause perdas de soberania. Pierre Poilievre, líder do Partido Conservador e da oposição, criticou duramente a estratégia do governo na rede social X: "NUNCA seremos o 51º estado dos EUA. E NUNCA seremos o 28º estado da UE", afirmou.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/canada-busca-alianca-unica-com-ue-em-meio-as-tensoes-com-os-eua/

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