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Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil

Candidatos à Presidência incluem incentivos a data centers em planos de governo, enquanto os EUA registram protestos e rejeição ao setor.

Redação•03 de out. de 2026, 04:30
Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil
Imagem: site

Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil

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Enquanto países como os Estados Unidos enfrentam resistência popular ao avanço de centros de dados, os principais candidatos à Presidência da República no Brasil incluem propostas para atrair essas instalações em seus planos de governo. As iniciativas envolvem incentivos fiscais, fabricação local de componentes e foco em inteligência artificial brasileira.

Atualmente, os Estados Unidos lideram o setor com mais de 4.700 data centers, conforme levantamento de setembro do site Data Center Map. O Brasil ocupa a 12ª posição, com 218 complexos desse tipo. O déficit comercial brasileiro em Serviços de Computação e Informação encerrou 2025 em US$ 8 bilhões, segundo dados da Brasscom, reflexo da necessidade de processar e armazenar dados no exterior devido ao menor número de instalações no país.

Outro diferencial apontado entre os mercados é a matriz energética. Enquanto os Estados Unidos dependem majoritariamente de combustíveis fósseis como petróleo e gás natural, a geração de eletricidade no Brasil ocorre em larga escala por meio de fontes renováveis, como usinas hidrelétricas. Contudo, o consumo elevado de recursos como água e energia por esses complexos gera debates globais. Nos Estados Unidos, moradores protestaram contra novas instalações e autoridades brasileiras também questionam os impactos desses projetos.

Renúncia fiscal e propostas dos candidatos

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera impostos de importação de equipamentos para o setor. Para obter o benefício, as companhias devem utilizar exclusivamente energia renovável ou de baixo carbono, consumir no máximo 50ml de água por quilowatt-hora (kWh), destinar 10% da capacidade para o mercado nacional e aplicar 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no Brasil.

Os planos dos candidatos à Presidência apresentam diferentes estratégias para o setor:

  • Lula (PT): Defende o fomento a empresas brasileiras de inteligência artificial e a criação de versões nacionais de modelos de linguagem.
  • Flávio Bolsonaro (PL): Propõe a redução de impostos sobre energia para data centers e a vinculação da demanda dessas instalações à exploração nacional de minerais críticos para chips de IA.
  • Ronaldo Caiado (PSD): Estabelece os data centers como parte de uma cadeia de inovação conectada ao desenvolvimento de semicondutores e modelos de linguagem.
  • Renan Santos (Missão): Sugere transformar o Brasil no maior exportador de processamento de dados para IA e criar zonas com regime tributário específico.
  • Romeu Zema (Novo): Defende a criação de um ambiente regulatório estável para assegurar segurança jurídica às empresas.

Os demais candidatos não mencionam data centers em seus planos de governo.

Cenário nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos apontou que 64% da população discorda que a construção acelerada de data centers traga benefícios ao país, enquanto 57% são contrários à criação desses complexos em seus bairros.

Apesar da rejeição, o presidente Donald Trump tem apoiado o avanço das instalações. Em reunião recente com executivos de tecnologia — incluindo Elon Musk (xAI), Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google) e Jensen Huang (Nvidia) —, Trump afirmou que os empreendimentos serão populares e trarão grandes contribuições financeiras e comunitárias às regiões.

Perspectivas e regulação

Especialistas avaliam que o Brasil possui vantagens estratégicas, como uma ampla rede de cabos submarinos e mercado interno, mas alertam para a necessidade de acompanhamento regulatório. Daniel Cordeiro, professor da USP, aponta que o país precisa ampliar sua capacidade computacional, mas deve monitorar os problemas enfrentados no exterior para evitar impactos negativos futuros. Thais Ortega e Marina Garrote, da consultoria Reglab, destacam que pontos do Redata, como a definição exata de "energia de baixo carbono" — o que pode incluir o uso de gás natural —, ainda exigirão regulamentação e impactarão as decisões do próximo governo.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/10/03/mico-ou-inovacao-por-que-candidatos-querem-mais-data-centers-no-brasil-enquanto-cresce-a-rejeicao-nos-eua.ghtml

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