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Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio a debates sobre soberania e energia

Presidenciáveis divergem sobre regulação, papel do Estado e impactos ambientais na corrida para instalar data centers de inteligência artificial no país.

Redação•30 de set. de 2026, 12:39
Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio a debates sobre soberania e energia
Imagem: site

Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio a debates sobre soberania e energia

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A expansão de data centers no Brasil tornou-se um ponto de convergência entre os principais candidatos à Presidência da República nas pesquisas de intenção de voto. O tema abrange propostas de nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, embora existam divergências quanto ao papel do Estado, atração de investimentos estrangeiros, exigências ambientais e transferência de tecnologia.

Em 20 de agosto, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em Macaíba (RN) um supercomputador voltado para inteligência artificial, com investimento estimado em R$ 1 bilhão, além de outra estrutura avançada no Rio de Janeiro em parceria com empresas chinesas. O plano do governo associa os data centers à soberania digital, propondo infraestrutura nacional, serviços de nuvem e supercomputadores operados por instituições brasileiras, além de exigir eficiência energética e fontes renováveis.

Outros presidenciáveis também tratam do tema em seus programas. Ronaldo Caiado (PSD) defende incentivos tributários atrelados a requisitos ambientais, sociais e tecnológicos, como uso de energia renovável, eficiência hídrica e reserva de capacidade para universidades e empresas nacionais. Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) focam na atração de capital privado, com ênfase na oferta de energia barata, ambiente regulatório favorável e aproveitamento da matriz elétrica renovável do país. Renan Santos (Missão) propõe transformar o Nordeste em um exportador de capacidade computacional por meio de zonas econômicas especiais. Já Augusto Cury (Avante), que também figura entre os competitivos nas pesquisas, aborda a inteligência artificial como infraestrutura estratégica de Estado, sem citar especificamente data centers.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a instalação dessas estruturas não garante automaticamente a soberania tecnológica do país. Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas, avalia que o foco deve estar em parcerias ecossistêmicas com universidades e transferência de tecnologia, evitando que o Brasil atue apenas como exportador de recursos naturais e energia para processar inteligência artificial estrangeira.

O debate também envolve o cenário geopolítico e a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. O governo brasileiro adotou uma postura de "país-ponte", integrando a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), criada em Xangai, sem romper com iniciativas de segurança de suprimentos dos EUA, como o Pax Silica. Em entrevista de 12 de agosto à Folha de S.Paulo, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, reconheceu riscos e incertezas diante de ameaças americanas de cessar o fornecimento a quem negociar com a China em áreas críticas.

Por sua vez, Igor Rodrigues Britto, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), alerta para os custos associados ao funcionamento contínuo dos servidores, que consomem grandes volumes de energia e água para refrigeração, além de gerarem impactos sonoros para as comunidades vizinhas. Britto aponta a necessidade de distinguir estruturas voltadas a dados nacionais daquelas destinadas a grandes plataformas internacionais, citando exemplos como o data center do TikTok em Caucaia (Ceará). Outro projeto mencionado é o complexo da Scala em Eldorado do Sul e Charqueadas (Rio Grande do Sul), onde Felipe Silva, do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (Lapin), aponta lacunas no licenciamento ambiental e sigilo sobre dados de fornecimento de energia.

Enquanto o debate eleitoral ocorre, o Senado aprovou no início de setembro o projeto de lei Redata, que cria o regime especial de tributação para incentivar a criação de data centers no país, com estimativa de R$ 5,2 bilhões em isenções para 2026. A medida prevê contrapartidas de sustentabilidade e eficiência, mas sofre críticas de especialistas como Felipe Silva devido à abertura para fontes como gás natural e energia nuclear.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/09/23/por-que-os-candidatos-a-presidente-querem-construir-mais-data-centers-no-brasil.ghtml

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