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Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio à rejeição do setor nos Estados Unidos

Candidatos à Presidência incluem em seus planos de governo propostas para atrair data centers ao Brasil, enquanto os EUA registram forte rejeição e protestos contra a expansão do setor.

Redação•10 de out. de 2026, 18:30
Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio à rejeição do setor nos Estados Unidos
Imagem: site

Candidatos à Presidência defendem expansão de data centers no Brasil em meio à rejeição do setor nos Estados Unidos

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Enquanto países como os Estados Unidos enfrentam resistência popular e protestos contra a expansão do setor, candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas incluem em seus planos de governo propostas para atrair a construção de data centers para o Brasil. Entre as medidas sugeridas estão incentivos fiscais, fabricação local de componentes e o fomento à inteligência artificial brasileira.

Um data center consiste em um local destinado ao armazenamento e processamento de informações. Os modelos mais frequentes incluem os de nuvem, voltados para guardar arquivos e operar serviços na internet, e os de inteligência artificial, utilizados para treinar modelos de linguagem complexos.

Diferenças entre Brasil e Estados Unidos

Enquanto os Estados Unidos lideram o segmento com mais de 4.700 instalações, o Brasil ocupa o 12º lugar no ranking global, contando com 218 complexos, conforme dados de setembro do site Data Center Map. Devido ao menor número de estruturas no território nacional, o país precisa processar e armazenar grande parte dos dados no exterior. O Brasil encerrou o ano de 2025 com um déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação, segundo dados da Brasscom, associação de empresas brasileiras de tecnologia.

Outra distinção relevante entre os dois países reside na matriz energética. Enquanto os Estados Unidos dependem principalmente de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural, a eletricidade brasileira é gerada em larga escala por fontes renováveis, a exemplo de usinas hidrelétricas. No entanto, o consumo elevado de água e energia por essas instalações gera debates em âmbito global. Nos Estados Unidos, moradores protestaram contra o avanço dos complexos e, no Brasil, autoridades questionaram os impactos dos projetos.

Pesquisa da Reuters/Ipsos indicou que 64% da população americana discorda da ideia de que a construção rápida de data centers será benéfica para o país, e 57% se opõem à criação das estruturas em seus próprios bairros. Apesar da rejeição, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem defendido o avanço dos empreendimentos. Em encontro com executivos de gigantes tecnológicas — como Elon Musk (xAI), Mark Zuckerberg (Meta), Sundar Pichai (Google) e Jensen Huang (Nvidia) —, Trump afirmou que as instalações serão populares e trarão grandes contribuições financeiras e comunitárias.

Iniciativas e propostas no Brasil

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera impostos de importação sobre equipamentos utilizados nesses locais. Para usufruir do benefício, as empresas devem empregar exclusivamente energia renovável ou de baixo carbono, limitar o consumo de água a um máximo de 50ml por quilowatt-hora (kWh), destinar 10% da capacidade para o mercado nacional e aplicar 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no país.

As propostas dos candidatos à Presidência variam quanto aos modelos de atração:

  • Lula (PT): Defende fomentar empresas brasileiras de inteligência artificial e criar versões nacionais de modelos de linguagem.
  • Flávio Bolsonaro (PL): Proõe reduzir impostos sobre energia para data centers e vincular a demanda dessas instalações à exploração nacional de minerais críticos utilizados em chips de IA.
  • Ronaldo Caiado (PSD): Estabelece os data centers como parte de uma cadeia de inovação conectada ao desenvolvimento de semicondutores e modelos de linguagem no país.
  • Renan Santos (Missão): Sugere transformar o Brasil no maior exportador de processamento de dados para modelos de IA e criar zonas com regime tributário específico para o setor.
  • Romeu Zema (Novo): Defende a criação de um ambiente regulatório estável para assegurar segurança jurídica às companhias.

Os demais candidatos não mencionam data centers em seus planos de governo.

Avaliação de especialistas

Para Daniel Cordeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em computação sustentável e de alto desempenho, o Brasil precisa elevar sua capacidade computacional, mas deve se prevenir para evitar os problemas enfrentados no exterior. Thais Ortega, coordenadora de pesquisa da consultoria Reglab, destaca que, embora haja consenso entre os candidatos sobre a atração dos centros, os mecanismos de implementação divergem e dependem de regulações para mitigar riscos. Marina Garrote, diretora de operações do Reglab, aponta que o Redata e o uso de matriz energética baseada em energia eólica e solar podem diferenciar o custo social brasileiro em comparação ao cenário norte-americano.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/10/03/mico-ou-inovacao-por-que-candidatos-querem-mais-data-centers-no-brasil-enquanto-cresce-a-rejeicao-nos-eua.ghtml

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