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Candidatos republicanos se distanciam de Trump antes das eleições nos EUA

Análise da Reuters aponta que dois terços dos republicanos em disputas acirradas para o Congresso buscam se distanciar de Donald Trump antes de novembro.

Redação•08 de out. de 2026, 21:43
Candidatos republicanos se distanciam de Trump antes das eleições nos EUA
Imagem: site

Candidatos republicanos se distanciam de Trump antes das eleições nos EUA

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Uma análise realizada pela Reuters revelou que dois terços dos candidatos republicanos envolvidos em disputas acirradas para a Câmara dos Deputados e para o Senado dos Estados Unidos romperam com o presidente Donald Trump em questões políticas ou reduziram a exposição de seus laços com ele. O movimento reflete uma tentativa de afastamento diante da impopularidade do presidente, que pode ameaçar a maioria do partido no Congresso.

A investigação examinou registros de votação, declarações públicas e materiais de campanha, apontando que postulantes em 41 das 62 principais disputas congressuais buscam distanciamento antes das eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro. A estratégia consiste majoritariamente em criticar ou divergir de Trump em temas pontuais, evitando um repúdio formal à sua agenda ampla, com o objetivo de atrair eleitores independentes sem romper diretamente com a liderança partidária.

As divergências políticas representaram o ponto de atrito mais comum, identificado em 23 das 62 disputas. Entre os temas, o conflito com o Irã apareceu em 12 embates, nos quais parlamentares republicanos em situação vulnerável votaram para restringir os poderes de guerra de Trump ou solicitaram publicamente o encerramento de combates que elevaram os preços dos combustíveis e impactaram os orçamentos familiares. Os centros de dados também figuram entre os assuntos de discordância, com três candidatos em disputas acirradas opondo-se ou tentando desacelerar projetos apoiados pelo presidente.

A mudança de postura ganha destaque porque Trump exerceu forte influência na reformulação do Partido Republicano na última década, punindo rapidamente dissidentes por meio de primárias, ataques públicos ou pressões de alinhamento. Questionado sobre os dados da análise, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, defendeu as realizações do governo e definiu Trump como o líder inequívoco, melhor porta-voz e motivador inigualável da legenda.

Dados de uma pesquisa Reuters/Impsos ilustram o cenário desafiador para os republicanos: o índice de aprovação de Trump ficou estagnado em 32%, o menor patamar de sua carreira. Além disso, eleitores registrados preferiram os democratas aos republicanos por 44% a 37% antes das eleições de meio de mandato, enquanto entre os independentes a vantagem democrata foi de 37% a 21%.

Além das divergências em votos, uma dúzia de candidatos retirou o nome, a imagem ou apoios de Trump de seus sites de campanha, adotando medidas após garantirem a indicação partidária. Outros optaram por estratégias mais sutis, como recusar presença em eventos ou evitar pronunciamentos sobre a participação do presidente em suas campanhas. Críticas diretas foram consideradas raras, evidenciando o peso contínuo do líder sobre a base partidária.

O estrategista republicano Ron Bonjean pontuou que os candidatos refletem o comportamento dos eleitores nas respectivas regiões. Por sua vez, assessores de campanha destacaram que a redução de laços com Trump é necessária para dialogar com o eleitorado independente, embora tenham rejeitado publicamente rótulos de reposicionamento político.

Casos práticos evidenciam a busca por esse equilíbrio político:

  • Pete Ricketts: Senador republicano em disputa acirrada contra o independente Dan Osborn em Nebraska, Ricketts foi um dos 11 candidatos identificados pela Reuters que divergiram de Trump em temas específicos — como o plano de ampliação de importações de carne bovina — enquanto mantiveram apoio geral, chegando a participar de um comício ao lado do presidente.
  • Mariannette Miller-Meeks: Candidata republicana em Iowa, Miller-Meeks criticou a política de importação de carne bovina e votou para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã. Contudo, poucas semanas depois da votação, esteve na Casa Branca ao lado do presidente para o anúncio de investimentos em uma siderúrgica no estado.

Para a consultora republicana Jeanette Hoffman, trata-se de um jogo de equilíbrio no qual os candidatos tentam aproveitar os êxitos do governo federal, mantendo certa distância de Trump devido à atual toxicidade da marca política do presidente.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/reuters-candidatos-republicanos-se-distanciam-de-trump-antes-de-eleicao/

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