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Caneta emagrecedora vira promessa de campanha em ano eleitoral

Caneta emagrecedora vira promessa de campanha em ano eleitoral, mas especialista alerta sobre riscos de transformar tratamento em slogan.

Redação•22 de set. de 2026, 11:50
Caneta emagrecedora vira promessa de campanha em ano eleitoral
Imagem: site

Caneta emagrecedora vira promessa de campanha em ano eleitoral

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Em meio a um cenário eleitoral, a caneta emagrecedora tornou-se um símbolo de promessa política, sendo utilizada por candidatos de diferentes espectros para atrair eleitores. A proposta, que promete distribuir o medicamento de graça, baratear seu preço ou quebrar patentes, já foi explorada em campanhas anteriores, mas volta com força em todas as esferas de poder.

Como endocrinologista, entendo o impacto positivo que esses medicamentos podem ter no tratamento da obesidade, mas alerto sobre os riscos de transformar tratamento em slogan. Incluir um medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) exige avaliação criteriosa, com definição de quem terá direito, protocolos clínicos, financiamento e acompanhamento, além de um planejamento financeiro robusto. Estimativas indicam que a oferta ampla poderia custar cerca de R$ 8 bilhões por ano, sem considerar quem pagará e por quanto tempo.

Distribuir sem critério e sem acompanhamento é caminho certo para o desperdício e a frustração. A caneta é apenas uma base, não a solução completa. Precisamos de uma política de Estado, com E maiúsculo, que inclua cirurgia bariátrica, alimentação saudável e atividade física regular, além de ações que vão além do consultório, como tributação de alimentos, transporte urbano e segurança pública.

Dados da pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde mostram que a obesidade em adultos cresceu 118% entre 2006 e 2024, e que mais de seis em cada dez brasileiros têm excesso de peso. O diabetes avançou 135% e a hipertensão, 31%. No entanto, esses números podem ser subestimados, pois a pesquisa é feita por telefone e depende da autodeclaração do entrevistado.

O custo de não agir é alto. Projeta-se que o excesso de peso consumirá cerca de 3% da riqueza produzida pelo Brasil (o Produto Interno Bruto) em 2035. Prevenir custa muito menos do que tratar infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e amputações. Além disso, é preciso considerar o impacto humano: obesidade é doença crônica e complexa, não falta de força de vontade, e cuidar dessas pessoas com dignidade também faz parte da conta.

Em época de eleição, vale perguntar a cada candidato: além da caneta, qual é o seu plano? Como será financiado? Quem será atendido primeiro? O que será feito para que menos gente precise de tratamento? O eleitor merece propostas sérias, com metas, prazos e orçamento, e não uma caneta erguida diante da câmera.

Obesidade não se resolve em um mandato nem com um único remédio. Resolve-se com compromisso de Estado que atravesse governos. Quanto antes começarmos, menor será a conta, financeira e humana.

Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/a-caneta-emagrecedora-virou-promessa-de-campanha/

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