A Caramuru Alimentos projeta expansão em suas operações de biocombustíveis e visa alcançar a mistura B17 no próximo ano, conforme avaliações do setor. Em entrevista ao programa “É Negócio” da CNN Brasil, o CEO da companhia, Marcus Thieme, apresentou um balanço sobre os desafios e as oportunidades enfrentados ao longo do ano.
Desafios e cenário atípico
Segundo o executivo, o período inicial foi marcado por instabilidades de mercado e por um conflito no Oriente Médio, fator que gerou impactos diretos tanto no agronegócio quanto no segmento de biocombustíveis. Entre os reflexos das dificuldades geopolíticas esteve o atraso na implementação do B16, mistura de biodiesel cuja adoção estava prevista para abril, mas acabou adiada pela ausência de conclusão dos testes necessários.
A medida havia sido estabelecida por meio da lei do combustível do futuro, que determina a ampliação gradual da mistura em 1% a cada ano.
Aposta em farelos proteicos
Diante das adversidades enfrentadas no mercado de biocombustíveis, a companhia encontrou fôlego na comercialização de farelos de alto valor proteico. O portfólio inclui o Hypro, que conta com 48% de proteína, e o SPC (proteína concentrada de soja), que atinge 62%.
O SPC tem como principal destino a exportação para a Noruega, maior produtora global de salmão. No país europeu, restrições impostas pelo governo à pesca impulsionaram o uso de farelo vegetal na formulação da ração para a criação de peixes em cativeiro, permitindo que a empresa agregasse mais valor às suas operações além do processamento básico de soja.
Perspectivas para o biodiesel e capacidade produtiva
Para o próximo ciclo, as expectativas para o biodiesel são otimistas de forma cautelosa. Com os testes em andamento, a projeção indica a evolução da mistura do atual B15 para o B17, havendo estudos que já analisam inclusive a viabilidade do B20.
No aspecto operacional, a empresa expandiu recentemente sua planta localizada em Ipameri (GO), o que permitiu duplicar a capacidade de processamento de aproximadamente 450 mil toneladas para cerca de 930 mil toneladas. Atualmente, a operação totaliza o processamento de 2,4 milhões de toneladas de soja e a fabricação de cerca de 440 mil metros cúbicos de biodiesel.
Desempenho financeiro e histórico
No exercício de 2025, a companhia obteve receita líquida de R$ 8,2 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 812,5 milhões e lucro líquido de R$ 80,8 milhões. O setor de biocombustíveis respondeu por 31% do faturamento total, enquanto o restante proveio de operações com commodities, commodities diferenciadas e produtos de consumo.
Por meio dessa divisão, a marca envasa óleos de soja, girassol, canola e milho, com distribuição em grandes redes supermercadistas, como o Carrefour. A trajetória da organização teve início no Paraná com o processamento de milho e se expandiu para a região Centro-Oeste, onde opera três unidades em solo goiano — em Itumbiara, São Simão e Ipameri — além de uma unidade voltada à soja convencional não transgênica em Sorriso (MT).
