O bilionário Carlos Wizard Martins, de 69 anos, afirmou em entrevista que não se arrepende de ter aceitado o convite para integrar o governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Com um patrimônio estimado em 3,8 bilhões de reais pela Forbes, o empresário ganhou notoriedade nacional após vender o Grupo Multi, dono da escola de idiomas Wizard, à britânica Pearson em 2013 por cerca de 2 bilhões de reais. Atualmente, ele comanda marcas como a rede de escolas Mister Wiz, voltada para crianças e adolescentes.
Durante a crise sanitária, Wizard trabalhou com o general Eduardo Pazuello na Operação Acolhida, em Roraima, e posteriormente foi chamado para aconselhar o Ministério da Saúde. Ele foi apontado pela CPI da Covid como integrante do chamado "gabinete paralelo", que teria influenciado a gestão federal na defesa de tratamentos sem eficácia científica comprovada, como a hidroxicloroquina. Em junho de 2021, amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário permaneceu em silêncio e negou a existência do grupo durante seu depoimento aos senadores.
Na entrevista, Wizard confirmou que integrou o grupo e sustentou que os kits do chamado "tratamento precoce" funcionaram. Ele declarou que milhares de pessoas que adotaram o protocolo médico sobreviveram. A eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19 foi refutada por grandes ensaios clínicos, como o britânico Recovery e o Solidariedade, da Organização Mundial da Saúde, além de um relatório da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) de 2021. Questionado sobre arrependimentos, o bilionário afirmou sentir desconforto por não ter tido habilidade para ser mais incisivo na defesa do protocolo, mas reiterou: "Não me arrependo de ter aceitado o convite do ministro". Ele também descartou a possibilidade de aceitar um novo cargo público em um hipotético governo de direita.
Sobre o cenário econômico brasileiro, Wizard classificou a situação atual como trágica e afirmou que o país está na parte baixa de seu ciclo econômico. Ele apontou os juros altos e a criação contínua de novos tributos como os principais obstáculos ao crescimento. O empresário também criticou a polarização política, defendeu a alternância de poder para o campo da direita e destacou a importância do empreendedorismo para gerar empregos e distribuir renda.
Atualmente, as apostas de negócios de Carlos Wizard concentram-se em três frentes: a rede de franquias Mister Wiz, a associação com a Escola Canadense do Brasil (em Campinas) para expansão de modelo pedagógico bilíngue, e a entrada na Ludotê, uma clínica voltada para o público neurodivergente, que inclui autismo e TDAH.
