A campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elaborou uma cartilha intitulada “Guia da Conversa” para orientar militantes na abordagem de eleitores indecisos. Com 19 páginas, o material traz instruções sobre como puxar assunto nas ruas, em pontos de ônibus e em filas para conquistar votos no primeiro turno da disputa, marcado para o próximo domingo (4).
O manual aborda a religião como um dos temas centrais, fornecendo diretrizes para que os apoiadores respondam a críticas e desmintam alegações de que o candidato adversário, Flávio Bolsonaro, estaria ligado a um movimento para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Entre os argumentos sugeridos aos militantes, a cartilha orienta responder que “Lula é católico e sempre guiado por valores cristãos de amor ao próximo e cuidado com quem mais precisa”. O texto também menciona a sanção da Lei de Liberdade Religiosa durante o governo petista.
A circulação do guia ocorre em meio à repercussão de uma fake news envolvendo a santa, que gerou cerca de 1 milhão de publicações em redes sociais em menos de três dias, conforme levantamento do Instituto Democracia em Xeque. O próprio presidente comentou o caso em entrevista ao Canal Livre, da Band, afirmando que “mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”. Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) para proibir publicações sobre o tema.
Além da pauta religiosa, o material do PT instrui os militantes a não confrontarem ou desdenharem dos indecisos, recomendando validar as dificuldades cotidianas relatadas pelos eleitores com a “pergunta do futuro” sobre propostas reais de melhoria. O guia também dedica páginas a debater a economia real, propostas voltadas para os jovens — como o fim da escala 6x1, o aumento do teto do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 140 mil, o fim das bets e o programa Pé-de-Meia —, e diretrizes voltadas para o público feminino.
Pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (28) apontou variações nas intenções de voto para Lula e Flávio Bolsonaro entre eleitores católicos e evangélicos após o episódio da padroeira e o anúncio do fim das bets. Diante do cenário, integrantes da campanha petista avaliam a possibilidade de vitória no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro busca conter os danos políticos acionando instâncias superiores da Justiça.
