Um casal foi registrado tomando uma bebida em um terraço de café perto do Arco do Triunfo, no sábado (17), próximo a uma lixeira em chamas e a pontos de manifestações no centro de Paris. A cena ocorreu em meio a uma onda de distúrbios que tomou o país após a união de estudantes, sindicalistas e remanescentes do movimento dos “Coletes Amarelos” contra os preços altos e a deterioração do modelo social francês.
Os atos iniciais começaram no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios ao norte de Paris devido à falta de professores e instalações precárias, evoluindo rapidamente para um movimento nacional contra a desigualdade, a escassez de gastos públicos e a queda na qualidade dos serviços. O cenário coincide com a reta final do mandato do presidente Emmanuel Macron, marcado por polarização política e custos de captação de recursos da dívida nos patamares mais altos em mais de duas décadas.
O domingo (18) foi de forte abalo em comunidades francesas após uma das noites mais violentas dos últimos anos. Prédios governamentais foram incendiados, um manifestante morreu e mais de 500 policiais ficaram feridos. A polícia registrou 1.800 prisões após protestos pacíficos se tornarem violentos com a chegada da noite de sábado. Uma parada cardiorrespiratória ao norte de Paris vitimou um manifestante, segundo a afiliada da CNN BFMTV com base em informações da sede da Polícia de Paris.
Em Limoges, a prefeitura de 143 anos foi incendiada e sua torre colapsou. Manifestantes mascarados invadiram a prefeitura de Marselha e depredaram o prédio, enquanto em Lyon o escritório de turismo foi incendiado. Parlamentares e autoridades criticaram o plano de segurança, e o primeiro-ministro Sébastien Lecornu agendou reunião com os prefeitos de Paris, Lyon e Marselha. O presidente Emmanuel Macron anunciou pronunciamento à nação para a noite de domingo.
Em Paris, grupos de jovens saquearam lojas e atearam fogo durante a dispersão, exigindo o uso de gás lacrimogêneo e cassetetes pela polícia. O ministro do Interior, Laurent Nunez, informou que mais de 500 policiais ficaram feridos e declarou no X que “nada pode justificar“ o tumulto. Nunez também apontou a presença de cerca de 550.000 manifestantes em todo o país, sendo 110.000 em Paris, enquanto organizadores relataram público superior.
Manifestantes ouvidos pela CNN relataram insatisfação com a concentração de riqueza e poder, a gestão de Macron e o controle da mídia por bilionários. Macron condenou os “semeadores do caos” e prometeu punição aos responsáveis pelas destruições e ataques. A Prefeitura de Polícia de Paris elogiou a coragem de seus funcionários e afirmou que não vai recuar diante de vândalos.
