Um suposto depoimento e um áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, repercutidos pela revista Veja, recolocaram o Caso Master no centro da disputa presidencial. De acordo com a publicação, Vorcaro teria liberado R$ 30 milhões, em espécie, ao Instituto Lula, gerido por Paulo Okamotto, para financiar o documentário "Lula" (2024), dirigido por Oliver Stone. O repasse teria como objetivo garantir acesso a fundos de pensão de servidores federais, com intermediação atribuída ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
Fontes próximas a Vorcaro afirmaram que o relato não integra um depoimento formal e sugerem a possibilidade de o conteúdo ter sido gravado de maneira clandestina, apontando uma distorção no início do áudio que indicaria a presença de uma terceira pessoa. A defesa do ex-banqueiro, representada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz, repudiou a divulgação de anexos relacionados a tratativas de colaboração premiada não celebrada e declarou que não reconhece a origem, autenticidade ou integridade do material. O advogado Daniel Bialski afirmou desconhecer a fala.
Posicionamento da PGR e da Polícia Federal
A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou que Vorcaro tenha prestado "depoimento oral" nas negociações de delação premiada, enfatizando que as tratativas ocorreram sempre por meio de advogados contratados. A instituição informou que todas as propostas da defesa foram recebidas sem juízo ou recusas prévias e sem interlocução direta do investigado. Um integrante da PGR em caráter reservado confirmou que o áudio citado pela reportagem não foi enviado à equipe que conduzia a delação.
A proposta de delação premiada de Vorcaro foi rejeitada pela PGR em junho, após a Polícia Federal (PF) recusar duas versões apresentadas pela defesa por falta de provas e elementos mínimos de credibilidade. Em nota oficial, a PF negou que o ex-banqueiro tenha prestado depoimento sobre repasses a um filme relacionado ao presidente e afirmou não ter recebido da defesa anexos ou documentos com esse teor.
Reações políticas e acionamento da Justiça
O grupo jurídico Prerrogativas acionou a PF na quinta-feira (8) para solicitar investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida pediram prioridade na apuração de conversas para uma entrevista televisionada com o ex-banqueiro e alegaram que o conteúdo teria sido concebido para produzir efeito político eleitoral.
A campanha do presidente Lula classificou o episódio como uma "farsa com objetivos eleitorais" e anunciou que adotará medidas judiciais. A coligação apontou como esterrecedor que a publicação apresente acusações sem provas e reforçou que não há registro desse depoimento na PF ou de delação aceita pelos órgãos competentes. Setores do governo e o PT também apontam a denúncia como um suposto "acordão" para auxiliar a candidatura de Flávio Bolsonaro e desviar o foco de negociações envolvendo o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.
Mensagens de 2024 e 2025 mostram tratativas de Vorcaro para tentar encontros e captar recursos junto a operadores ligados ao governo, incluindo menções a nomes como Alexandre Padilha e Olavo Noleto, embora interlocutores apontem que o ex-banqueiro não obteve sucesso na captação.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/entenda-caso-envolvendo-audio-de-vorcaro-sobre-filme-de-lula/
