NewsHub
Política

Caso Moraes e Vorcaro: entenda as investigações da PF sobre mensagens e jatinho

Relatórios da Polícia Federal revelam mensagens, contratos e encontros envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Redação•21 de set. de 2026, 03:17
Caso Moraes e Vorcaro: entenda as investigações da PF sobre mensagens e jatinho
Imagem: site

Caso Moraes e Vorcaro: entenda as investigações da PF sobre mensagens e jatinho

Ouça esta matéria em voz alta

Relatórios divulgados pela Polícia Federal (PF) apontam indícios de proximidade entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação dos documentos ocorreu após a retirada de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça sobre a ação que apura trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes, em 1º de fevereiro.

A investigação reúne ao menos 52 mensagens enviadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025 de um telefone de Vorcaro para um contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA". As respostas do magistrado não aparecem nos registros. Segundo a PF, o ex-banqueiro utilizava mensagens temporárias e, em algumas ocasiões, escrevia notas no celular e enviava capturas de tela via WhatsApp. O conteúdo aponta que Vorcaro pediu que o ministro atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter investigações sobre o Banco Master. Em novembro de 2025, dias antes de ser preso preventivamente, o ex-banqueiro questionou Moraes sobre uma possível fuga do país.

Encontros e contratos milionários

O mapeamento da PF identificou pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025, com o primeiro contato intermediado em 2023 pelo ex-ministro Fábio Faria. Além disso, relatórios indicam que o escritório Barci de Moraes, pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de mais de R$ 130 milhões com o Banco Master, com pagamentos previstos entre 2024 e 2027. Dados enviados à CPI do Crime Organizado mostram que a banca recebeu R$ 80,2 milhões da instituição financeira entre 2024 e 2025. O escritório informou que consultou o ministro sobre impedimentos legais antes de assinar o documento, e que o magistrado constatou não haver entraves, uma vez que nunca julgou causas envolvendo o banco.

Um vídeo divulgado pelo jornal O Globo em 20 de agosto de 2025 também registrou Moraes e sua esposa desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em uma aeronave ligada a Vorcaro. O escritório Barci de Moraes afirmou à CNN que contrata serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que Daniel Vorcaro ou terceiros estranhos não estavam presentes nos voos. A investigação da PF ainda aponta a existência de um segundo contrato de até R$ 50 milhões com a Viking Participações, empresa representada por Vorcaro, prevendo inclusive quitação por meio de participações em empresas ligadas a aeronaves, como um Legacy 650. Moraes e o escritório negam a existência desse segundo contrato.

Crise institucional no STF

A revelação dos dados gerou uma crise sem precedentes no STF. Após a quebra de sigilo, Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de improbidade administrativa e abuso de autoridade por meio do inquérito das fake news, solicitando a abertura de investigação contra o colega. O presidente da Corte, Edson Fachin, estipulou o prazo de cinco dias para manifestações de Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues sobre a crise, além de conduzir sessões de julgamento marcadas por impasses e trocas de acusações.

A tensão também envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto extraída do celular de Vorcaro que mostra o chefe da PGR ao lado do ex-banqueiro em Londres.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/voo-em-jatinho-e-mensagens-o-que-se-sabe-sobre-o-caso-moraes-e-vorcaro/

Compartilhar