A campanha da governadora Celina Leão (PP) no segundo turno ao governo do Distrito Federal enfrenta o temor de que a crise do Banco de Brasília (BRB) volte ao centro da disputa eleitoral contra Leandro Grass (PT). O tema, presente desde o início do ano, resgata a vinculação da atual mandatária ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice antes de assumir o Palácio do Buriti.
No primeiro turno, Celina obteve 49,93% dos votos válidos, ficando a apenas 0,07 ponto percentual de encerrar a eleição antecipadamente. Já Leandro Grass alcançou 34,47% dos votos.
A estratégia de Grass consiste em utilizar o episódio do BRB para questionar a administração do grupo político que comanda Brasília desde 2019. O candidato petista pretende associar a imagem de Celina aos resultados e decisões da gestão de Ibaneis, abrangendo áreas sensíveis para o eleitorado como saúde, transporte, segurança e a própria gestão do banco público, avaliando assim a continuidade do grupo no poder.
Por sua parte, a defesa de Celina Leão pretende destacar as providências tomadas para preservar a instituição financeira, enfatizando que o Governo do Distrito Federal (GDF) agiu para assegurar a continuidade do BRB. O confronto entre os dois concorrentes em torno do tema deve seguir até o dia 25 de outubro.
Origem e desdobramentos da crise financeira
A situação crítica do BRB teve início após transações envolvendo o Banco Master, entidade que foi liquidada pelo Banco Central. O caso desencadeou um conjunto de ações voltadas à recomposição financeira da instituição pública distrital.
Em junho, o presidente do BRB declarou ao Senado que o banco poderia demandar um aporte de R$ 8,8 bilhões para suportar potenciais prejuízos decorrentes das operações vinculadas ao Banco Master. Posteriormente, em setembro, o Tribunal de Contas do Distrito Federal ordenou o congelamento de até R$ 2,7 bilhões em contas e bens pertencentes a cinco ex-dirigentes da instituição pública, no âmbito de um processo investigativo sobre os negócios com a entidade privada.
