Impacto na produtividade global
Svein Tore Holsether, CEO da Yara International, expressou profunda preocupação com a redução do uso de fertilizantes em diversas regiões agrícolas ao redor do globo. Segundo o executivo, o alto custo dos insumos tem levado agricultores a diminuir a aplicação de nutrientes, prática que ameaça a produtividade das lavouras a longo prazo e, consequentemente, a estabilidade da produção mundial de alimentos. Holsether destacou que cerca de metade dos alimentos consumidos no mundo depende diretamente do uso desses insumos.
Riscos cumulativos e desafios do setor
Embora a redução da produtividade possa não ser imediata, o executivo ressalta que existe um limite para o adiamento da reposição de nutrientes no solo. O cenário torna-se ainda mais delicado devido à combinação de fatores adversos, como condições climáticas severas, o impacto do El Niño e a volatilidade nos preços de energia e matérias-primas. A sucessão de choques globais recentes evidenciou a fragilidade das cadeias de abastecimento, incluindo restrições logísticas como o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de 30% da ureia comercializada internacionalmente.
O cenário específico do Brasil
Para a Yara, o mercado brasileiro é classificado como particularmente sensível. Devido às características naturais do solo no Brasil, a necessidade de reposição de nutrientes é alta para sustentar o ritmo de produtividade. O CEO pontuou que, caso a aplicação correta não seja mantida, os danos à produtividade nacional podem ser expressivos. Por fim, Holsether defende que governos adotem políticas agrícolas que apoiem os produtores rurais, visando garantir a segurança alimentar diante de um futuro marcado por instabilidades climáticas e econômicas.
