O início da tragédia em 1987
Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de recicláveis encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas de uma clínica desativada em Goiânia, Goiás. O objeto, que seria o estopim do maior acidente radiológico da história do Brasil, foi levado para um ferro-velho para desmonte.
O perigoso pó azul
Dentro do equipamento, havia uma cápsula cilíndrica com um pó azul que brilhava intensamente. Roberto dos Santos e Wagner Mota abriram a cápsula, manusearam o material e o compartilharam com familiares. A contaminação se espalhou rapidamente pela cidade, causando náuseas, vômitos, queimaduras e fraqueza intensa nas vítimas, sintomas inicialmente confundidos com outras doenças.
A descoberta da radiação
A gravidade da situação só foi revelada após o físico nuclear Walter Mendes Ferreira medir a radiação do material, impedindo que os bombeiros descartassem o césio-137 em um rio, o que teria causado um desastre ainda maior. Uma força-tarefa foi montada, resultando no isolamento de casas, descontaminação de bairros e destruição de bens pessoais. Mais de 100 mil pessoas foram avaliadas, com quatro mortes confirmadas e milhares de impactados por problemas de saúde e preconceito.
Legado e monitoramento
Cerca de 6 mil toneladas de resíduos permanecem em depósitos em Abadia de Goiás. O Cara (Centro de Assistência aos Radioacidentados) ainda acompanha 1.141 sobreviventes e trabalhadores que atuaram na crise. O acidente alterou permanentemente os protocolos globais de segurança com materiais nucleares.
