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Economia

Chefe da Stellantis admite erro da indústria automotiva ocidental diante de avanço chinês

Presidente da Stellantis na América do Sul aponta falhas de avaliação da indústria ocidental frente ao crescimento das montadoras da China e cobra previsibilidade no mercado brasileiro.

Redação•07 de out. de 2026, 05:30
Chefe da Stellantis admite erro da indústria automotiva ocidental diante de avanço chinês
Imagem: site

Chefe da Stellantis admite erro da indústria automotiva ocidental diante de avanço chinês

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Para Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, a indústria automotiva ocidental cometeu erros ao avaliar a velocidade com que a eletrificação ganharia relevância no mercado global. Em entrevista concedida em uma terça-feira (6), o executivo — que lidera na região marcas como Fiat, Jeep, RAM e Leapmotor — afirmou que o setor sabia que o caminho seria eletrificado, mas falhou na leitura de mercado sobre o ritmo de avanço tecnológico.

O executivo rejeitou a ideia de que as montadoras tradicionais tenham ignorado a força das marcas chinesas, mas pontuou que as projeções sobre essa ascensão não foram exatas. Segundo Zola, a participação chinesa no Brasil acumulada foi de 9% no ano passado, saltou para 17% neste ano e ultrapassou 25% no último mês, um ritmo de aceleração que, segundo ele, ninguém conseguiu prever.

Entre os fatores apontados para esse erro de avaliação, o presidente da Stellantis destacou os impactos da pandemia de Covid-19, período em que as montadoras direcionaram o foco para resolver gargalos logísticos, como a escassez de peças e semicondutores, deixando de lado a pesquisa e o desenvolvimento técnico. Além disso, o executivo apontou que o setor ocidental terceirizou e descentralizou sua cadeia de produção, enquanto as montadoras da China adotaram a estratégia oposta, internalizando etapas produtivas.

Críticas à competitividade e ao modelo de importação no Brasil

Apesar de fazer um mea culpa sobre as falhas das marcas tradicionais, Zola criticou a falta de previsibilidade e as condições de competitividade no mercado brasileiro. O executivo apontou que não existem regras que estimulem as montadoras instaladas no país a priorizarem a cadeia de suprimentos nacional, gerando custos mais elevados em comparação aos concorrentes estrangeiros que utilizam insumos mais baratos, como o aço chinês.

Dados da Anfavea revelam que, nos primeiros oito meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil automóveis, alta de 29,8% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, mais da metade (221 mil unidades) veio da China, registrando um crescimento de 109,9% frente ao ano anterior. Cerca de dois terços do avanço da produção nacional no período vieram de veículos montados nos sistemas CKD e SKD, nos quais os carros chegam ao país desmontados ou parcialmente desmontados para montagem final.

As montadoras tradicionais criticam esse formato porque os custos de importação de peças e montagem local são inferiores aos da produção totalmente nacionalizada, permitindo que marcas chinesas pratiquem preços agressivos no segmento de carros zero km. Segundo Zola, caso a Stellantis migrasse para os sistemas SKD ou CKD, sua operação regional — que atualmente emprega cerca de 35 mil funcionários — poderia ser reduzida a apenas 10% do tamanho atual. O executivo defendeu que o governo brasileiro defina claramente qual modelo deseja para a indústria automotiva nacional, exigindo maior previsibilidade por meio de instrumentos como impostos de importação.

Estratégias futuras da Stellantis

Diante desse cenário, Zola afirmou que a companhia busca compreender as demandas atuais dos clientes, acelerar novas soluções e implementar uma redução de custos planejada do ponto de vista técnico e de design, sem prejudicar o valor entregue ao consumidor. O objetivo central da empresa é neutralizar as vantagens competitivas de rivais que já disponibilizam opções 100% elétricas, híbridas plug-in (PHEV) e híbridas plenas (HEV) em portfólios onde a Stellantis ainda não atua com todas essas tecnologias.

Fonte: https://g1.globo.com/carros/noticia/2026/10/07/ninguem-conseguia-prever-chefe-da-stellantis-admite-erro-do-setor-diante-da-disparada-chinesa.ghtml

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