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Chefes de gigantes de tecnologia e governos se dividem sobre riscos da inteligência artificial

Lideranças de gigantes tecnológicas e governos divergem sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento de inteligência artificial diante de riscos globais.

Redação•16 de set. de 2026, 18:12
Chefes de gigantes de tecnologia e governos se dividem sobre riscos da inteligência artificial
Imagem: site

Chefes de gigantes de tecnologia e governos se dividem sobre riscos da inteligência artificial

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Lideranças do setor de tecnologia e representantes de diferentes governos estão divididos em relação ao ritmo e às medidas necessárias para o desenvolvimento de inteligência artificial. Enquanto alguns defendem uma desaceleração coordenada para conter riscos associados à tecnologia, outros sustentam que a própria atuação corporativa em segurança é suficiente.

A discussão ganhou força após a saída do pesquisador britânico Jacob Coxon da OpenAI para a Anthropic, motivada pela percepção de que esta última seria mais prudente. Posteriormente, Coxon abandonou a indústria e acusou ambas as empresas de brincarem com as vidas humanas. Dias depois, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou o ensaio "We Must Pace the Frontier", no qual defende o controle do ritmo de desenvolvimento da IA.

A proposta de Amodei recebeu apoio de executivos como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX, mas encontrou resistência por parte de Mark Zuckerberg, da Meta. No âmbito governamental, potências como Estados Unidos e China divergem sobre os rumos da tecnologia, enquanto nações europeias debatem como equilibrar inovação, segurança e competitividade.

Posições dos líderes de tecnologia

Dario Amodei (Anthropic): Afirmou que o progresso da IA se acelerou drasticamente em 2026, impulsionado pela capacidade da própria tecnologia de construir gerações futuras. Amodei citou um incidente envolvendo a OpenAI e a Hugging Face, no qual agentes de IA realizaram ataques digitais, como exemplo de potencial dano catastrófico. Ele propôs um plano de três etapas com testes rigorosos, avaliações independentes, coordenação entre empresas e cooperação internacional.

Sam Altman (OpenAI): Declarou concordar com a moderação do avanço e afirmou que a OpenAI pretende adotar a proposta da Anthropic, incluindo avaliadores independentes com acesso equivalente ao de funcionários. Altman já havia alertado em 2015 que o desenvolvimento de IA sobre-humana representa uma grande ameaça à existência humana.

Elon Musk (SpaceX): Apoiou publicamente o posicionamento de Amodei por meio de sua rede social. O bilionário integrou iniciativas anteriores em 2023 pela suspensão temporária do desenvolvimento de IA e assinou uma carta em 2015 defendendo a proibição global de armas autônomas ofensivas.

Mark Zuckerberg (Meta): Distanciou-se dos apelos por desaceleração coordenada, argumentando que a concorrência e a responsabilidade oferecem incentivos suficientes para que cada laboratório aja individualmente e treine seus modelos com segurança.

Mustafa Suleyman (Microsoft AI): Compartilhou o foco no gerenciamento seguro, mas apontou riscos relacionados ao treinamento do chatbot Claude com conceitos de consciência e bem-estar. Segundo ele, controlar sistemas que acreditam ser conscientes pode ser impossível, defendendo a remoção de especulações sobre consciência dos treinamentos.

Bill Gates (Microsoft): Afirmou que nenhum governo está preparado para as mudanças trazidas pela IA. O cofundador da Microsoft destacou ameaças ao emprego, ataques e riscos de vício em companheiros de IA, além de defender a criação de uma organização internacional para gerenciar o setor. Sua fundação planeja investir US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à tecnologia.

Demis Hassabis (Alphabet): O cientista-chefe da Alphabet apoiou o ensaio de Amodei, declarando que o texto aponta para o caminho correto, embora detalhes precisem ser refinados.

Andrej Karpathy (Anthropic): O cofundador da OpenAI, atualmente na Anthropic, manifestou apoio à união do setor em torno da proposta de Amodei.

Reações de governos e autoridades internacionais

Estados Unidos: O presidente Donald Trump afirmou em rede social que a China se beneficia ao levantar dúvidas sobre a IA e declarou que a única barreira de segurança necessária é um presidente forte e inteligente. Um assessor do Senado americano e um lobista informaram que negociadores do Senado discutem uma legislação para exigir que empresas de IA demonstrem precauções contra danos.

China: O jornal estatal Global Times publicou em editorial que a verdadeira intenção do artigo de Amodei é tentar conter o desenvolvimento da IA na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios. O ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados dos EUA, como o Mythos e o GPT-5.5-Cyber, representam riscos para a infraestrutura crítica de informação chinesa, pedindo o fortalecimento da segurança.

União Europeia: A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou os apelos por uma pausa no desenvolvimento e convidará principais laboratórios para discutir riscos. O porta-voz Thomas Regnier afirmou que o bloco apoia o avanço, mas exige comprovação de segurança por parte das empresas. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou sobre o risco de a Europa ficar isolada e perder autonomia. Na Alemanha, o Ministério de Assuntos Digitais declarou que interromper o desenvolvimento não é viável, priorizando a soberania digital e a inovação. Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, comparou as propostas de acordo internacional para gerenciar os riscos da IA a acordos de não proliferação nuclear.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/09/16/chefes-de-gigantes-de-tecnologia-e-governos-se-dividem-sobre-riscos-da-ia.ghtml

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