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China avança na produção e pode desafiar o Brasil no mercado global de frango

A produção de frango na China cresceu mais de 9% no primeiro semestre de 2026, impulsionando exportações e gerando debates sobre o futuro da concorrência global com o Brasil.

Redação•12 de out. de 2026, 05:30
China avança na produção e pode desafiar o Brasil no mercado global de frango
Imagem: site

China avança na produção e pode desafiar o Brasil no mercado global de frango

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A China tem aumentado significativamente a sua produção e as exportações de carne de frango, o que acende o alerta para a possibilidade de o país asiático se transformar em um novo concorrente do Brasil no cenário internacional. Atualmente, o território brasileiro ocupa a liderança como o maior exportador mundial da proteína.

De acordo com dados do Rabobank, banco especializado em agronegócio, a produção de frango na China registrou um crescimento superior a 9% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, após já ter avançado cerca de 7% em 2025. Simultaneamente, uma menor procura interna por determinados cortes elevou o volume disponível para comercialização externa.

Apesar do avanço produtivo e do excedente exportável, a China manteve-se como um dos principais mercados para o frango brasileiro ao longo de 2026, liderando as importações da proteína nos meses de fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto. Em setembro, os chineses figuraram na terceira posição, com 40,9 mil toneladas adquiridas, ficando atrás dos Emirados Árabes Unidos, que compraram 45,9 mil toneladas, e da União Europeia, com 43,5 mil toneladas.

No acumulado entre janeiro e setembro de 2026, as exportações do Brasil para o mercado chinês alcançaram aproximadamente 420,4 mil toneladas, resultando em uma receita de US$ 1,15 bilhão, o que equivale a cerca de R$ 5,73 bilhões.

Diferença de preferências alimentares explica comércio contínuo

O fluxo de compras da China, mesmo diante da expansão da sua própria oferta interna, é explicado pelas distintas preferências dos consumidores nos dois países. Enquanto os brasileiros priorizam cortes como peito, coxa e sobrecoxa, a demanda na China é fortemente concentrada em pés e asas.

O pé de frango, por exemplo, possui alto valor comercial no mercado chinês, onde é consumido na forma de petiscos temperados comercializados em lojas e máquinas automáticas de estações de metrô e shopping centers, além de ser empregado no preparo de caldos e sopas para conferir textura gelatinosa. Somente no ano de 2025, as vendas brasileiras desse corte específico para a China geraram US$ 221 milhões, consolidando o país asiático como o principal comprador do item, com pagamentos em torno de US$ 3 mil por tonelada, conforme o padrão de qualidade.

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), pontua que os hábitos culturais moldam a atuação de cada nação no comércio global:

  • Brasil: preferência mais ampla de cortes pelos consumidores locais.
  • Japão: apreço por pernas e cartilagens de frango.
  • África: preferência voltada para pernas da ave.
  • Europa: maior consumo concentrado no peito de frango.

Expansão das exportações chinesas

Com a produção chinesa crescendo em ritmo superior ao consumo interno, a China ampliou os embarques de carne in natura, com destaque para o peito de frango — corte menos demandado internamente. Conforme registros da alfândega chinesa, entre janeiro e maio de 2026, o país exportou 257,1 mil toneladas de peito de frango, o equivalente a 63,3% do total vendido ao exterior no período, registrando alta de 59,6% sobre os cinco primeiros meses de 2025.

No geral, a China exportou 546 mil toneladas de carne de frango no mesmo período, marcando um crescimento de 51% em relação ao ano anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em todo o ano de 2025, o volume exportado ultrapassou levemente 1 milhão de toneladas, posicionando a China em quinto lugar entre os maiores exportadores globais, enquanto o Brasil embarcou cerca de 5,3 milhões de toneladas — mais de cinco vezes o montante chinês.

Perspectivas de concorrência e restrições sanitárias

Chenjun Pan, especialista em proteínas animais do Rabobank, avalia que o avanço nos números indica o potencial da China de se tornar uma rival relevante do Brasil no mercado internacional, com previsões de que a disputa se intensifique especialmente no Oriente Médio, na Ásia e na África.

Por outro lado, Ricardo Santin, da ABPA, argumenta que o crescimento chinês não deve comprometer o espaço dos exportadores do Brasil:

“O Brasil continua sendo o país mais competitivo no comércio global. Segundo a FAO, dois terços do aumento global do consumo de proteínas devem vir da carne de frango, o que cria espaço para novos participantes e contribui para a segurança alimentar mundial.”

Apesar da expansão, a carne aviária produzida na China ainda encontra barreiras regulatórias para acessar determinados mercados. Nações e blocos como União Europeia, Japão e Coreia do Sul mantêm normas e protocolos sanitários rígidos para a importação de aves, restrições que podem limitar as compras de regiões afetadas pela gripe aviária.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/10/12/cliente-ou-rival-como-a-china-pode-passar-de-grande-compradora-a-concorrente-do-frango-brasileiro.ghtml

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