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China avança sobre clientes do Brasil com frango mais barato

Com produção em alta e preços até 20% menores que os do Brasil, a China expande exportações de frango e conquista mercados tradicionais.

Redação•17 de out. de 2026, 04:30
China avança sobre clientes do Brasil com frango mais barato
Imagem: site

China avança sobre clientes do Brasil com frango mais barato

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A China tem ampliado sua presença no mercado internacional de carne de frango, oferecendo produtos com preços até 20% inferiores aos praticados pelo Brasil. O movimento ocorre em um cenário de excesso de oferta interna e investimentos em tecnologia pelo setor agropecuário chinês, impulsionado por uma estratégia do governo do país para garantir a segurança alimentar.

Dados alfandegários divulgados pela agência Reuters indicam que as exportações chinesas de produtos de frango alcançaram US$ 2,6 bilhões em 2025, quase o dobro do montante contabilizado em 2020. Com isso, o país tornou-se exportador líquido de carne de frango no ano passado, passando a comercializar para o exterior mais do que a importar.

Mudanças no consumo interno e alta na produção

Historicamente consolidada como a principal proteína na dieta da China, a carne suína registrou queda na preferência, sobretudo entre habitantes de zonas urbanas. Dados oficiais e da imprensa estatal apontam que o consumo per capita de carne de porco reduziu 13% em relação ao pico registrado em 2023. Em contrapartida, a ingestão de frango por pessoa cresceu mais de 50% na década encerrada em 2024.

Apesar da retração econômica e da alteração nos hábitos alimentares, a produção seguiu em expansão. Em 2025, a China registrou a marca recorde de 59 milhões de toneladas de carne suína produzidas, enquanto o volume de aves teve alta de 7%.

Vantagem de preço e concorrência global

Com a alta disponibilidade do produto, produtores chineses intensificaram a busca por novos mercados externos. Segundo Ezequiel Pires, presidente da comerciante internacional de carnes Branexx, cortes de peito e coxa de frango da China custam entre 10% e 20% menos que os itens brasileiros. A Branexx iniciou a compra de aves chinesas em março, após demanda de clientes africanos por alternativas mais econômicas às importações do Brasil.

Na Tailândia, concorrente do setor, a expansão chinesa também gera preocupações. Representantes da indústria tailandesa relatam que compradores utilizam os valores praticados pela China como parâmetro para renegociar com outros fornecedores.

A participação da China no mercado de produtos de aves processadas da União Europeia duplicou desde 2022, atingindo 10%. No Reino Unido, a fatia triplicou e ultrapassou 14%, conforme levantamento da consultoria Gira citado pela Reuters. Além do setor avícola, empresas do país asiático ampliam as vendas de laticínios, cujas exportações são projetadas em US$ 600 milhões para 2026, dobrando o resultado de três anos antes.

Subsídios e desafios de qualidade

O crescimento produtivo foi impulsionado por políticas governamentais e incentivos a grandes corporações do agronegócio para elevar a oferta interna e recompor rebanhos após crises como a peste suína africana de 2018. Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os subsídios responderam por cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas chineses entre 2022 e 2024, triplicando o patamar do início dos anos 2000. Na avicultura, companhias como a Wintop Food ampliaram a capacidade dos galpões, passando de 20 mil para 120 mil frangos alojados por unidade em uma década.

A despeito da competitividade nos preços, a indústria chinesa ainda necessita superar barreiras ligadas a escândalos passados de segurança alimentar. Para firmar as exportações, os produtores precisam comprovar conformidade com padrões sanitários rigorosos e rastreabilidade. Na União Europeia, os alimentos importados devem obedecer às mesmas exigências aplicadas internamente, e o bloco projeta endurecer a identificação da origem de produtos de aves a partir de 2027.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/10/17/depois-dos-carros-a-carne-como-a-china-avanca-sobre-clientes-do-brasil-com-frango-ate-20percent-mais-barato.ghtml

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