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Economia

China continuará comprando soja do Brasil no futuro, mas com ritmo menor de crescimento

Estudo do Insper Agro Global aponta que a China continuará como principal destino da soja brasileira até 2030, mas com crescimento de importações em ritmo menor.

Redação•07 de out. de 2026, 16:38
China continuará comprando soja do Brasil no futuro, mas com ritmo menor de crescimento
Imagem: site

China continuará comprando soja do Brasil no futuro, mas com ritmo menor de crescimento

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A China tem projeção de permanecer como o principal mercado para a soja do Brasil nos próximos anos, embora o ritmo de crescimento de suas importações possa perder força. A previsão consta em um estudo divulgado nesta quarta-feira (7) pelo Insper Agro Global, assinado pelos pesquisadores Gabriela Mota da Cruz, Leandro Gilio, Bruno Capuzzi e Marcos Jank.

De acordo com o levantamento, as importações chinesas do grão podem oscilar entre 92 milhões e 118 milhões de toneladas até o ano de 2030. Esse volume dependerá diretamente da velocidade na produção de ração animal e do nível de cumprimento das metas fixadas pelo governo da China.

No cenário avaliado como mais próximo das condições técnicas observadas pelos autores, considerando o avanço da demanda por ração em linha com os últimos cinco anos, as compras externas atingiriam 118 milhões de toneladas em 2030, representando uma alta de 2% frente à base atual. Com isso, o país asiático manteria suas aquisições, mas com desaceleração no crescimento. O Brasil responde atualmente por cerca de 70% das importações de soja feitas pela China, devendo seguir como um mercado relevante, embora possa deixar de atuar como um vetor contínuo de expansão da demanda.

Estratégia chinesa e produção de ração

A dependência externa da China concentra-se primordialmente na soja. Enquanto o consumo interno é estimado em 136 milhões de toneladas, a produção local é de aproximadamente 21 milhões de toneladas. Para mitigar essa vulnerabilidade, o governo chinês adota estratégias que vão além do incremento da produção interna, focando também na redução da quantidade de farelo de soja utilizada na alimentação animal e na otimização da eficiência na produção de carnes.

O estudo aponta que a participação do farelo de soja na ração chinesa recuou de 17,9% em 2017 para 13,7% em 2024, com uma meta oficial fixada em 10% até 2030. Caso tal objetivo seja alcançado, o consumo anual da substância cairia de cerca de 77 milhões para 46,9 milhões de toneladas. Contudo, os pesquisadores ressaltam que essa redução na ração não assegura, por si só, uma queda nas importações, fator que também dependerá da expansão da produção de ração e de proteína animal. Se o crescimento anual da ração superar o intervalo de 4% a 5% — média registrada nos cinco anos antecedentes —, o aumento na procura poderá neutralizar os ganhos obtidos pela menor utilização do farelo.

Durante evento do Insper Agro realizado em São Paulo nesta quarta-feira (7), Larissa Wachholz, senior fellow do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China, declarou que o governo chinês utilizará suas vantagens e conhecimentos industriais para encontrar soluções. A especialista avaliou que a China possui uma preocupação em evitar a dependência de poucos países com grandes volumes, cenário intensificado pela nova guerra comercial com os Estados Unidos durante os governos de Donald Trump, mas ressaltou: "A China não vai parar de depender do Brasil".

Em contrapartida, Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), pontuou que a nutrição animal já é elaborada com base em estudos e questionou: "e se tiro o farelo de soja vou colocar o quê no lugar?".

Impacto limitado da produção doméstica

Outro eixo da estratégia chinesa envolve a elevação da produtividade da soja cultivada em território nacional, que atualmente registra média de cerca de 2 toneladas por hectare — patamar inferior aos índices do Brasil e dos Estados Unidos. A meta estipulada pelo governo chinês é elevar a produtividade em 39% até 2034, o que elevaria a produção para cerca de 28 milhões de toneladas. Mesmo sob esse cenário, o montante nacional supriría apenas aproximadamente um quinto da demanda atual de consumo.

Os pesquisadores destacam que a expansão da área plantada encontra barreiras, visto que a China prioriza a produção de cereais. De 2000 a 2025, a área voltada ao milho expandiu-se de 23 milhões para 45 milhões de hectares, ao passo que a soja manteve participação próxima de 6% na área cultivada. O pesquisador Marcos Jank salientou que o país detém menos de 10% das terras aráveis globais e 6% da água doce mundial, restrições que limitam o crescimento agrícola interno. De acordo com Wachholz, a administração chinesa tem apostado menos na ampliação territorial e mais no uso de transgênicos, a exemplo do que ocorreu com o milho local.

Cenários projetados

A análise contemplou quatro frentes: aumento da produtividade interna, decréscimo do farelo na ração, retração da quantidade de ração exigida por unidade de proteína animal e alterações no consumo de alimentos. No cenário mais propício à diminuição das importações — com demanda por ração estável e cumprimento integral das metas —, a necessidade de soja importada cairia em 23 milhões de toneladas comparado a 2025, atingindo 92 milhões de toneladas em 2030. No cenário considerado viável, com expansão na demanda por ração e atendimento parcial das metas, as importações alcançariam 118 milhões de toneladas, configurando alta de 2%.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/china-vai-seguir-comprando-soja-do-brasil-no-futuro-mas-em-ritmo-menor/

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