Diretrizes para montadoras chinesas no exterior
A China divulgou novas diretrizes instando suas montadoras a evitar guerras de preços desestabilizadoras e a cumprir mais rigorosamente as normas locais à medida que se expandem para o exterior. A diretriz, publicada na terça-feira (1º de setembro de 2026) pelos ministérios do Comércio, da Indústria e Tecnologia da Informação e pela Administração Estatal de Regulação do Mercado, estabelece requisitos para padronizar a concorrência e fortalecer a gestão de conformidade local.
A medida ressalta a preocupação de Pequim de que descontos agressivos e falhas de conformidade por parte das montadoras chinesas possam prejudicar suas marcas globais e provocar resistência regulatória em importantes mercados estrangeiros. Para conter a concorrência desleal, as diretrizes orientam as empresas a evitar variações frequentes e acentuadas de preços que possam prejudicar os interesses dos consumidores. As montadoras também são instruídas a manter os preços transparentes, evitar cobranças ocultas e administrar os preços de veículos e peças de acordo com a legislação.
Concorrência na Tailândia e excedente de oferta
O alerta sobre preços vem depois de uma forte concorrência na Tailândia, onde as montadoras chinesas, atraídas por subsídios governamentais introduzidos em 2022, contribuíram para um excesso de oferta. Em 2024, autoridades tailandesas convocaram a BYD Co. Ltd. por causa de fortes cortes de preços. Posteriormente, a empresa ofereceu aos clientes afetados um ano de recarga gratuita como compensação. A Tailândia agora incentiva as montadoras a direcionar o excesso de capacidade para as exportações.
À medida que as montadoras chinesas avançam da exportação de veículos para uma produção mais localizada, as diretrizes enfatizam a necessidade de avaliar as condições políticas, macroeconômicas e de segurança dos países anfitriões. As empresas devem cumprir as leis trabalhistas locais, oferecer igualdade de oportunidades na contratação, proteger os direitos dos trabalhadores e fortalecer os sistemas de resposta a emergências para incidentes de segurança.
Escrutínio regulatório na Hungria e mudanças políticas
A pressão por maior conformidade regulatória ocorre enquanto empresas chinesas enfrentam escrutínio na Hungria. No fim de agosto, autoridades de Hajdú-Bihar ordenaram que a Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. (CATL) suspendesse trabalhos em seu projeto de baterias por deficiências de segurança ocupacional ligadas ao níquel. A BYD e a Yunnan Energy New Material Co. Ltd. também enfrentaram problemas ambientais no país.
Esses desafios surgem em meio a uma mudança política. Após 16 anos do governo de Viktor Orbán, que mantinha laços estreitos com Pequim, Peter Magyar assumiu o cargo de primeiro-ministro em maio de 2026, sinalizando um retorno à corrente política dominante da Europa. Wang Fengshuo, da consultoria Teneo, destacou que empresas chinesas focam em governos, mas negligenciam a “licença social para operar”, como avaliações ambientais e relações comunitárias.
Segurança de dados e propriedade intelectual
As diretrizes também identificam a segurança de dados e a propriedade intelectual como grandes riscos. Espera-se que as montadoras garantam que a coleta e a transferência internacional de dados de veículos conectados estejam em conformidade com a legislação local, além de fortalecer a proteção de patentes para reduzir disputas tecnológicas. Este texto foi publicado originalmente pela Caixin em 2 de setembro de 2026 e adaptado para o padrão do Poder360.
