Uma decisão aprovada na última quinta-feira (24) pela câmara municipal de Heidenau, cidade situada próxima a Dresden, na Saxônia, proibiu a instalação de novas placas memoriais conhecidas como Stolpersteine, ou "pedras de tropeço". Os blocos de latão de 10 cm, criados pelo artista alemão Gunter Demnig na década de 1990, são colocados em calçadas em frente à última residência ou local de trabalho de judeus e outras vítimas da perseguição nazista para servir como um lembrete cotidiano das atrocidades.
A proposta que motivou a proibição foi apresentada em conjunto pelo partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) e pela CDU (União Democrata-Cristã), de centro-direita. O argumento utilizado pelos grupos foi o de que os pedestres acabam caminhando sobre os nomes das vítimas ou pisando neles. Como alternativa, a medida determina que as futuras homenagens fiquem restritas ao memorial localizado no cemitério da zona norte do município.
A deliberação gerou forte repercussão negativa e críticas severas de autoridades, líderes comunitários e do próprio idealizador do projeto. Gunter Demnig rejeitou a moção de Heidenau, destacando que as peças precisam permanecer visíveis nos locais exatos onde as pessoas viviam ou trabalhavam para manter a história viva entre os jovens. Ele também criticou a postura da CDU, afirmando que o partido deveria abandonar a letra "C" de seu nome por ter deixado o cristianismo para trás.
Felix Banaszak, copresidente do Partido Verde da Alemanha, classificou o episódio como um escândalo e definiu como "absurdo" o argumento de que pisar nos blocos justificaria a remoção. Já Charlotte Knobloch, sobrevivente do Holocausto e presidente de uma associação judaica na Baviera, apontou a decisão como o caminho equivocado, ressaltando a importância de uma comemoração descentralizada nos espaços públicos.
O Comitê Internacional de Auschwitz também condenou o apoio da CDU à medida, qualificando a ação como escandalosa e descrevendo-a como uma tentativa de expulsar as vítimas do nazismo para o cemitério. O caso colocou sob escrutínio o chamado Brandmauer (parede de contenção), termo que define a barreira informal de partidos tradicionais para evitar qualquer cooperação política com a AfD. A colaboração da CDU na aprovação da moção intensificou as pressões sobre o líder partidário Friedrich Merz.
