A suspensão dos atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos no Brasil, realizada nesta sexta-feira, 2, pode indicar mais um episódio de interferência americana no cenário eleitoral brasileiro. A avaliação é do cientista político e professor do Mackenzie, Rodrigo Prando, em entrevista a Laísa Dall’Agnol no programa Ponto de Vista.
Durante a entrevista, Prando afirmou desconhecer fatos concretos de violência que pudessem justificar a medida adotada pelo governo americano sob a justificativa de questões de segurança. O Departamento de Estado não especificou as motivações de segurança e tampouco associou o fechamento ao pleito marcado para domingo. Funcionários receberam orientações para atuar em regime de home office, enquanto cidadãos norte-americanos com demandas de urgência foram instruídos a contatar o plantão por telefone ou e-mail, sem se dirigirem fisicamente aos locais.
O especialista destacou que nunca presenciou uma situação idêntica ao longo de sua trajetória como analista de eleições. Embora projete uma competição eleitoral intensa tanto no primeiro turno quanto em um eventual segundo turno, o cientista político ressaltou não ter conhecimento de ameaças, suspeitas ou episódios de violência que fundamentassem a interrupção dos serviços. A decisão também foi acompanhada pelo fechamento da Embaixada da Austrália em Brasília, cuja representação alegou motivos de segurança e desaconselhou a presença de cidadãos em suas dependências.
Para Prando, o encerramento das atividades diplomáticas deve ser analisado em conjunto com outras declarações recentes de Donald Trump sobre o Brasil. O professor mencionou o anúncio de tarifas programadas para 2025 e o posicionamento do líder norte-americano desfavorável ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, processo qualificado por Trump como uma “caça às bruxas”. Em trecho exibido no programa, Trump declarou acompanhar a votação de perto: “O Brasil é um país muito importante, um grande país. O povo brasileiro é fantástico. É uma eleição muito importante”.
Diante desse cenário e da medida adotada pelo governo australiano, Prando avalia que a sucessão de acontecimentos corrobora a hipótese de uma nova investida de intervenção na política interna do Brasil, recomendando cautela e monitoramento atento dos desdobramentos geopolíticos e eleitorais.
