As estratégias adotadas por Lula e Flávio Bolsonaro, principais nomes da disputa presidencial, para tentar obter vantagens políticas na crise do Supremo Tribunal Federal (STF) trazem riscos significativos. A utilização política do impasse gerado no tribunal — após a divulgação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes — joga luz sobre o tema da corrupção em um cenário eleitoral tenso.
A divisão interna na Corte formou duas alas. O primeiro grupo reúne Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O segundo bloco conta com André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Esse racha passou a integrar a campanha, gerando torcidas que ligam a primeira ala ao candidato do PT e a segunda ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Tanto Lula quanto o capitão reformado possuem duas indicações em cada grupo do tribunal, embora isso não garanta alinhamento automático. O atual presidente tem lembrado publicamente que Moraes foi indicado por Michel Temer em 2017 e que Gilmar Mendes assumiu o posto em 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Especialistas apontam que a afinidade ideológica entre magistrados e os presidentes que os indicaram é comum, mas o cenário muda com o fator da corrupção.
As suspeitas envolvendo o pivô de fraude bancária atingem, além de Moraes e Dias Toffoli, supostas ligações que alcançam familiares dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux. Todos os citados negam irregularidades.
Segundo o doutor em ciência política Pedro Castelo Branco, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o perigo reside na mistura entre politização, eleições e corrupção. O especialista avalia que o cenário se torna explosivo, confunde o eleitorado e pode beneficiar o candidato com melhor posicionamento.
Além disso, o foco excessivo na crise do STF desvia a atenção dos eleitores de debates essenciais do cotidiano, como propostas para saúde, educação e segurança pública. O analista compara o momento a um Fla-Flu entre Lula e Flávio Bolsonaro intermediado pelas alas do Supremo, e alerta para o risco de episódios de violência política, relembrando o clima verificado nas campanhas de 2018 e 2022 e nos atos de 8 de janeiro de 2023.
