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Cientista Tatiana Roque lança livro sobre os impactos da Inteligência Artificial

Em seu novo livro 'A Máquina e Nós', a cientista e professora Tatiana Roque analisa os impactos, riscos e limites da inteligência artificial.

Redação•01 de out. de 2026, 18:22
Cientista Tatiana Roque lança livro sobre os impactos da Inteligência Artificial
Imagem: site

Cientista Tatiana Roque lança livro sobre os impactos da Inteligência Artificial

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A matemática, historiadora da ciência e professora da UFRJ, Tatiana Roque, lançou recentemente o livro A Máquina e Nós, publicado pela editora Todavia. A obra aborda a inteligência artificial (IA), analisando suas origens, o cenário atual e os rumos que a tecnologia pode tomar, destacando questões éticas, sociais e ambientais.

No livro, a autora evita a polarização entre os chamados "boomers" (otimistas tecnológicos) e "doomers" (tecnopessimistas), argumentando que ambos os grupos compartilham o pressuposto de que os rumos atuais da IA são inevitáveis. Para ela, essa visão neutraliza a ação política e a necessidade urgente de governança e regulação, evitando que as decisões fiquem restritas a um pequeno grupo de empresários bilionários proprietários das chamadas "Sete Magníficas".

Tatiana Roque destaca que esteve em Genebra para um evento da ONU, os Diálogos Globais para a Governança da IA, onde identificou um consenso entre a maioria das nações sobre a possibilidade e a necessidade de criar uma governança global. A autora afirma alinhar-se com os "doers", aqueles que desejam agir para transformar o caminho da tecnologia.

Sobre as macrotendências globais, a escritora avalia que o modelo pragmático adotado pela China, focado em aumentar a produtividade da indústria e qualificar serviços com a visão de implementação, é mais acertado do que a busca obsessiva pela superinteligência liderada pelos Estados Unidos. Ela aponta que o Brasil deveria seguir um caminho análogo ao chinês, investindo em ferramentas soberanas de IA voltadas para serviços públicos, indústria e combate às mudanças climáticas.

A obra também examina o uso da IA em setores estratégicos, como o de energia. Segundo a autora, a tecnologia desempenha um papel crucial na gestão de redes elétricas e na transição energética, auxiliando na previsão da geração renovável e na otimização do fluxo de eletricidade.

Outro ponto central discutido no livro é o conceito de singularidade. Enquanto figuras como Ray Kurzweil preveem uma ruptura tecnológica que fundirá humanos e máquinas em cerca de 20 anos, Tatiana Roque propõe o resgate da "singularidade humana", avaliando o que a tecnologia não consegue imitar, como a experiência, o corpo, a criatividade e a capacidade de formular novos problemas.

A autora alerta ainda para os riscos do uso excessivo da IA por crianças e jovens, apontando a terceirização da construção de repertório intelectual e a debilitação das capacidades cognitivas como graves consequências. No mercado de trabalho, ela adverte que os postos de entrada em trabalhos de colarinho branco para recém-formados já começam a ser afetados, especialmente nos países desenvolvidos.

Por fim, a cientista ressalta que a inteligência artificial carece de corpo e de vivência no mundo real, dependendo estritamente de dados textuais e carecendo de aprendizado intuitivo — características que diferenciam os seres humanos e os animais, como sua cachorra Gabi, a quem o livro é dedicado. Questionada por uma provocação gerada pelo ChatGPT sobre a possibilidade de a máquina vir a conhecer os seres humanos melhor do que eles próprios, Tatiana Roque respondeu: "Você conhece o que já fomos, os traços do que a humanidade foi até aqui. Jamais saberá o que ainda podemos ser, especialmente se esse futuro for radicalmente diferente do presente."

Fonte: https://veja.abril.com.br/ideias/voce-jamais-sabera-o-que-ainda-podemos-ser-a-resposta-de-tatiana-roque-a-inteligencia-artificial/

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