O senador Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do Progressistas, passou a ser alvo de pressões por parte de dirigentes partidários para declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
O movimento dentro da legenda é encabeçado pelo diretório de São Paulo, liderado pelo deputado federal Maurício Neves, que atua como padrinho político da candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado. A seção paulista adotou posição pública favorável a Flávio ainda durante a pré-campanha e tem viabilizado reuniões estratégicas e eventos no estado.
As bancadas estaduais, com destaque para a de São Paulo, intensificaram as conversas com Ciro Nogueira para defender a aliança. O tema será debatido na reunião da federação União Progressista, que reúne o PP e o União Brasil, agendada para o dia 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno. A federação havia optado pela neutralidade na disputa presidencial na primeira etapa do pleito.
Apesar da movimentação paulista, a pressão encontra resistência em outras bases partidárias. Conforme fontes da legenda, ao menos três diretórios importantes do Nordeste — Maranhão, Paraíba e Pernambuco — manifestam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os defensores da aproximação com Flávio Bolsonaro, a avaliação é de que o atrito anterior entre Ciro Nogueira e o senador do PL “já passou”. O mal-estar havia ocorrido após comentários de Flávio quando Ciro foi alvo da Polícia Federal no caso Master, episódio que pesou na decisão inicial de adotar a neutralidade.
Aliados de Flávio também apontam que o avanço do parlamentar nas pesquisas pode influenciar o posicionamento do PP. Internamente, defensores da aliança argumentam que Lula pode sofrer perda de votos entre o primeiro e o segundo turno caso candidatos aliados ao atual presidente levem vantagem na primeira votação nos estados, o que poderia esvaziar o comparecimento de eleitores na etapa seguinte.
O Progressistas é federado ao União Brasil, liderado por Antônio Rueda, e as duas siglas mantêm alinhamento nas eleições. Fontes do PP indicam que a tendência é que o União Brasil acompanhe a decisão que for tomada pelo Progressistas no encontro marcado para o dia 6 de outubro.
