O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), declarou nesta sexta-feira (9) à CNN que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) assumiu o compromisso de renegociar os débitos do estado mineiro com a União caso vença a eleição.
Durante a entrevista, Cleitinho manifestou seu apoio a Flávio na disputa presidencial. Contudo, o chefe do executivo estadual eleito também afirmou que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, buscará o candidato petista “com humildade” para debater a situação financeira mineira.
“Se a população brasileira achar que o Lula tem que ser reeleito, vou ligar para o Lula e vou pedir uma reunião com ele para tratar sobre Minas Gerais e sobre a dívida. Mas espero que o Flávio possa ganhar para que ele possa cumprir o compromisso que ele fez comigo ontem”, declarou.
Situação financeira e propostas
Conforme dados da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, a dívida do estado com a União ultrapassa a marca de R$ 187 bilhões em 2026. Já o Tesouro Nacional aponta que a relação entre a dívida estadual e a receita corrente líquida alcança 167%, representando a terceira maior proporção de todo o país.
O novo governador detalhou que solicitou a Flávio a reversão dos valores pagos por Minas Gerais à União em investimentos diretos no próprio estado. “Pedi para que ele pudesse reverter as prestações pagas de Minas Gerais para a União em benefícios para o estado, como por exemplo em segurança pública e infraestrutura”, defendeu.
“Pedi para que ele tivesse a sensibilidade de entender que essa dívida custa cara para o governo do estado. Ele oficializou dizendo que, assim que assumir, vai renegociar a dívida e vai fazer esses pagamentos voltarem para Minas Gerais”, acrescentou.
Crítica à gestão anterior e diálogo
Na visão de Cleitinho, a administração do ex-governador Romeu Zema (Novo) apresentou falhas na articulação com o governo federal para tentar viabilizar a renegociação do débito mineiro. “No governo anterior, faltou diálogo com o Estado. Se você está devendo alguém, tem que negociar, faltou isso para a gestão anterior”, avaliou.
Os registros indicam que o débito público mineiro registrou um aumento de 64% durante a gestão de Romeu Zema, saindo de R$ 114,7 bilhões em 2019 e atingindo R$ 187 bilhões em 2026.
Por fim, Cleitinho enfatizou que pretende trabalhar em prol do estado independentemente da inclinação político-ideológica do futuro presidente da República. “A eleição passa, a gente tem que esquecer ideologia e partido, o único partido é a população mineira”, concluiu.
