Grandes clubes do futebol brasileiro manifestaram-se nesta quinta-feira (17.set.2026) contrariamente a eventuais alterações na regulamentação das apostas esportivas e dos jogos on-line promovidas pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nota conjunta foi assinada por Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Botafogo, Vasco e Palmeiras, além das contas oficiais do Campeonato Paulista, do Campeonato Carioca e da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol. O Corinthians informou que publicará o texto em seu site oficial.
Em uma publicação conjunta ilustrada pela frase “O fim do futebol brasileiro”, as instituições defenderam a preservação do mercado regulado de apostas. Atualmente, 13 dos 20 times que integram a Série A possuem patrocínio master vinculado a empresas do setor. O impacto estimado pelas equipes sobre essa fonte de arrecadação pode atingir aproximadamente R$ 1 bilhão caso o mercado venha a ser proibido.
A mobilização ocorreu após o veículo UOL divulgar, na quarta-feira (16.set.2026), que o governo federal estuda elaborar uma medida provisória com o objetivo de proibir modalidades de jogos on-line, a exemplo de cassinos virtuais, e impor restrições às apostas esportivas. Embora representem categorias distintas, os cassinos virtuais compõem o portfólio de diversas casas de apostas e geram receita para tais companhias.
No mesmo dia 16 de setembro, o presidente Lula declarou possuir “disposição pessoal” para extinguir as bets, equiparando o endividamento decorrente dos jogos ao vício em crack. Na ocasião, o chefe do Executivo ressaltou, contudo, a necessidade de ponderar a opinião da sociedade antes de deliberar sobre o tema.
As entidades esportivas reconhecem a existência de problemáticas sociais associadas aos jogos, com ênfase sobre indivíduos em situação de vulnerabilidade. Contudo, argumentam que tais riscos devem ser combatidos por meio de fiscalização, prevenção, educação e salvaguardas, sem a descontinuidade do mercado regulamentado.
Conforme o manifesto divulgado pelas equipes:
- O Brasil optou por enfrentar o desafio por meio da regulamentação, instituindo exigências rígidas para empresas autorizadas operarem no território nacional.
- O modelo permitiu ao Estado fiscalizar o setor, responsabilizar infratores e combater plataformas clandestinas.
- O investimento das empresas autorizadas transformou-se em uma das principais fontes de receita do esporte nos últimos anos.
- O fluxo financeiro impulsionou o futebol brasileiro ao protagonismo em torneios sul-americanos, como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana.
- Os recursos beneficiam também equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições de menor visibilidade comercial.
O comunicado aponta que reduções abruptas na receita colocariam em risco estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais, o futebol feminino e a formação de novos talentos. Os clubes sustentam ainda que proibições comprometeriam contratos e planejamentos plurianuais formalizados sob o marco regulatório vigente.
Em contato realizado pelo portal Poder360, a assessoria do Palácio do Planalto foi consultada por e-mail para comentar os posicionamentos dos clubes, mas não retornou até o encerramento da reportagem, que permanece aberta a atualizações caso haja manifestação oficial.
