As defesas aéreas da Arábia Saudita destruíram um drone dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, ao sul de Meca. A interceptação ocorreu na noite de terça-feira (15), antes que o equipamento pudesse entrar no espaço aéreo proibido sobre a cidade sagrada, conforme informou o porta-voz da coalizão militar liderada pelo reino no Iêmen, Turki al-Malki.
Segundo o porta-voz, esta foi a segunda tentativa dos Houthis de atacar Meca. O primeiro episódio ocorreu em julho de 2017, com o lançamento de um míssil balístico. Al-Malki destacou que a segurança da cidade, que abriga locais sagrados do Islã e é o ponto central da peregrinação anual do Hajj, é considerada uma “linha vermelha”.
Em contrapartida, autoridades dos Houthis negaram o plano de atingir a localidade. Em comentários divulgados pela agência de notícias SABA, controlada pelo grupo, as acusações foram classificadas como “uma mentira deslavada”.
A tentativa de ataque acontece em meio a uma semana de ações do grupo alinhado ao Irã, aprofundando o envolvimento da Arábia Saudita no conflito. Os rebeldes anunciaram diversas ofensivas recentes, incluindo um ataque a uma base aérea na segunda-feira (14), que deixou 13 civis feridos, de acordo com autoridades da coalizão militar saudita. Os Houthis afirmaram que a ação na base foi uma retaliação a ataques aéreos no Iêmen.
A escalada de tensões e os ataques à Arábia Saudita abalaram os mercados globais de energia, que já enfrentavam instabilidade devido ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã iniciado em fevereiro, responsável por reduzir o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. Recentemente, os Houthis assumiram o controle de partes da costa iemenita do Mar Vermelho próximas a Bab el-Mandeb, ameaçando as exportações de petróleo saudita.
Além disso, a Arábia Saudita atribuiu a um movimento pró-Irã sediado no Iraque a responsabilidade por um ataque ocorrido na sexta-feira (11). A ação paralisou o Oleoduto Leste-Oeste, rota de 1.200 quilômetros que liga os campos de petróleo do Golfo ao Mar Vermelho e serve como principal via de exportação enquanto o transporte pelo Estreito de Ormuz sofre interrupções.
Operadores de mercado apontam que uma paralisação prolongada do oleoduto pode cortar até 4% da oferta global de petróleo. O governo saudita não divulgou uma previsão para a retomada das operações. Contudo, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou à CNBC na terça-feira que o fluxo de petróleo bruto pelo duto deve ser restabelecido em poucos dias.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita combate os Houthis desde 2015. O conflito havia perdido intensidade nos últimos anos devido a um cessar-fogo, mas voltou a se intensificar após o avanço dos rebeldes contra forças do governo iemenita neste mês. Na semana passada, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, telefonou para o presidente dos EUA, Donald Trump, para solicitar apoio militar, cuja ajuda tem se limitado ao fornecimento de inteligência.
