A Colômbia inaugurou oficialmente nesta quarta-feira, 14, a sua embaixada na cidade de Jerusalém, integrando um seleto grupo de nações que possuem representação diplomática no local. A maior parte da comunidade internacional não reconhece a região como capital de Israel, mantendo o status definitivo do território sob disputa.
A medida cumpre uma promessa feita pelo presidente colombiano de extrema direita, Abelardo de la Espriella, empossado no cargo em agosto. A decisão marca uma reviravolta na política externa do país sul-americano, visto que, em 2024, o antecessor esquerdista Gustavo Petro havia rompido os laços diplomáticos com Israel como forma de protesto contra a ofensiva militar na Faixa de Gaza.
A solenidade de abertura contou com a participação do chanceler de Israel, Gideon Saar, e do ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Omar Bula. Durante o evento, Saar celebrou o ato como um dado relevante para o Estado israelense e para a cidade de Jerusalém. Por sua parte, Bula pontuou que o movimento constitui uma medida concreta para reatar as relações bilaterais, descrevendo-as como uma ligação que jamais deveria ter sido cortada.
O chefe da diplomacia colombiana também destacou a segurança como um interesse mútuo entre as duas nações. De acordo com o representante, a Colômbia lida com perigos associados ao terrorismo, ao narcotráfico e à criminalidade transnacional organizada que impactam as comunidades. Nesse sentido, apontou Israel como um parceiro estratégico histórico e reforçado para o futuro.
Em contrapartida, a iniciativa gerou repúdio por parte da Autoridade Palestina. Por meio de nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores palestino repudiou o ato, apontando-o como uma transgressão ao direito internacional e às diretrizes das Nações Unidas, além de caracterizá-lo como um atentado contra os direitos nacionais da população palestina.
Atualmente, a grande maioria dos países conserva suas sedes diplomáticas em Tel Aviv, partilhando do entendimento de que o destino final de Jerusalém necessita ser resolvido mediante entendimento negociado para o conflito local.
Histórico e contexto regional
A escolha da Colômbia espelha o passo dado pelos Estados Unidos no ano de 2018, na ocasião do primeiro governo de Donald Trump. O município abriga órgãos fundamentais do governo israelense, a exemplo do Parlamento, da Suprema Corte e das repartições do primeiro-ministro. A partir daquele momento, países como Guatemala, Honduras, Paraguai, Fiji e Papua-Nova Guiné igualmente moveram suas embaixadas para a localidade. Na Argentina, o presidente Javier Milei também assumiu o compromisso de mudar a representação diplomática argentina para lá.
A situação política e territorial de Jerusalém constitui um dos principais nós górdios na disputa entre israelenses e palestinos. O território de Jerusalém Oriental encontra-se ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967, com posterior anexação da zona de predominância árabe. O lado palestino postula a área como capital de um futuro país soberano, ao passo que a anexação promovida por Israel carece de reconhecimento pela imensa maioria da comunidade internacional.
